O líder do bloco de oposição BHNota10 na Câmara de Belo Horizonte e presidente da CPI da Covid-19, Juliano Lopes (Agir), disse ao Hoje em Dia que a Comissão Especial a ser criada na Casa para avaliar os decretos editados pelo prefeito Alexandre Kalil (PSD) durante a pandemia vai trabalhar como se fosse um pente fino. “Não podemos achar que é normal a cidade liberar os bares abertos, estádios de futebol com público e continuar exigindo teste de Covid para a celebração de um casamento, por exemplo. Ou mesmo determinar que uma família vele o corpo de um parente por apenas uma hora com limitação de 10 pessoas”, argumentou. “O prefeito disse que nós estamos querendo desorganizar a cidade, mas a Câmara de BH vai criar uma comissão e analisar quais os decretos que ainda se aplicam e os que ficaram para trás”, completou.

Na última sexta (1º), parlamentares de oposição, dentre eles Juliano Lopes, protocolaram na Casa um projeto de resolução pedindo a suspensão dos projetos. Dos 41 vereadores, 14 assinaram o texto, que passou a ser analisado pela presidência nesta segunda (4). Para ser aprovado, o texto precisa de um total de 21 votos. A presidente da Câmara, vereadora Nely Aquino (Podemos), tem até sexta-feira (8) para definir os membros da Comissão Especial.

Clima tenso

Nesta segunda, o clima entre os vereadores era de tensão, após as declarações dadas por Alexandre Kalil em entrevista ao portal G1 no sábado. Na entrevista, o prefeito da capital mineira disse que o Legislativo se ausentou de decisões importantes para a cidade, tanto nas chuvas que castigaram BH em janeiro de 2020 e no auge da pandemia da Covid-19.

Outro vereador que criticou Kalil durante a sessão plenária de hoje foi o presidente da CPI da BHTrans, vereador Gabriel Azevedo (Patriotas). Azevedo voltou a afirmar que a CPI “sofreu pressão do Executivo” e que os parlamentares são independentes para seguir os trabalhos de investigação. “Essa CPI não vai parar a nenhum tempo e hora. Vamos continuar investigando, para mostrar o que aconteceu de verdade nesta relação entre a PBH e as empresas de ônibus”, destacou o parlamentar.

A sessão ordinária da CMBH foi suspensa por falta de entendimentos entre os parlamentares. Uma reunião com a presidência foi convocada logo na sequência e durou aproximadamente duas horas.

Governo

Por telefone, a assessoria de comunicação da PBH declarou que "o governo respeita a independência do Legislativo em suas ações" e informou que não comentaria as decisões tomadas pelos vereadores. Já o líder do governo Kalil na CMBH, vereador Léo (PSL), não atendeu às ligações feitas pela reportagem do HD para falar como se dará a articulação da base aliada no Parlamento para a atuação durante a Comissão Especial. 

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