A defesa da ex-presidente Dilma Rousseff divulgou nota na qual sustenta que o depoimento de Otávio Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, à Justiça Eleitoral aponta que as doações feitas à campanha presidencial de 2014 foram legais.

Nesta segunda-feira (19), Azevedo confirmou que houve pagamento de propina disfarçado de doação oficial à campanha de 2014 que elegeu Dilma Rousseff e Michel Temer, segundo fontes que acompanham as investigações. O depoimento serve para instruir as ações contra a chapa eleita em 2014 que tramitam no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, Otávio Azevedo disse que a Andrade Gutierrez repassou R$ 15 milhões oriundos de propina pelas obras da construção da usina de Belo Monte ao diretório nacional do PT. Deste valor, cerca de R$ 1 milhão foi encaminhado pelo partido à campanha de Dilma de 2014.

Ele prestou depoimento em São Paulo ao corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Herman Benjamin, relator das investigações no TSE. O executivo Flávio Barra, ex-Andrade Gutierrez, também prestou depoimento nesta segunda-feira.

A defesa de Dilma destaca em nota que o dinheiro doado para a campanha do PT pela empreiteira veio do mesmo caixa das doações feitas ao então candidato do PSDB, Aécio Neves.

"Em depoimento prestado ontem, o sr. Otávio Azevedo reconheceu que as doações feitas pela Andrade Gutierrez à campanha de Dilma/Temer tiveram origem legal e provieram do mesmo caixa financeiro das doações feitas à campanha de Aécio Neves, do PSDB", escreve o advogado Flavio Caetano, coordenador da defesa da petista no âmbito eleitoral.

A defesa da petista sustenta ainda que as doações foram feitas de forma "espontânea e voluntária, sendo mentirosa e inverídica qualquer ilação em contrário envolvendo a conduta de seus coordenadores Edinho Silva e Giles Azevedo".

Ainda segundo fontes que acompanharam os depoimentos, Otávio Azevedo contou que a empresa previa doar R$ 10 milhões à campanha de Dilma em 2014, mas dobrou o valor diante da pressão de Edinho Silva e Giles Azevedo - respectivamente ex-ministro e ex-assessor pessoal da petista. A doação, segundo o executivo, servia para manter o "status quo" dos contratos com o governo.

O executivo foi questionado pelo ministro Herman Benjamin sobre a diferença entre a doação feita para a campanha de Dilma e a realizada para a campanha do então candidato à presidência pelo PSDB, Aécio Neves. Segundo ele, no caso de Aécio não houve pedido feito pelo tucano em troca de alguma contrapartida.

Com base nos depoimentos desta segunda-feira, o PT pediu que o TSE ouça o depoimento de Giles Azevedo. Já o PSDB solicitou depoimentos de outras três pessoas: Dalton Avancini, da UTC; Marcelo Bisordi, da Camargo Corrêa; e Elton Negrão, da Andrade. A expectativa das partes envolvidas no caso é de que o ministro Herman Benjamin decida sobre os novos depoimentos ainda nesta terça-feira (20).