O delegado Carlos Capistrano, superintende de investigação e polícia judiciária, informou ao Hoje em Dia que as negociações com a defesa do ex-governador Eduardo Azeredo foram retomadas. Apesar disso, o tucano ainda é considerado foragido e a polícia desconhece o seu paradeiro.

“Trabalhamos com duas linhas de possibilidade. Uma é a de que ele se entregue, e a outra é a de que nossas equipes o encontrem para efetuar a prisão”, afirmou. 

Segundo a Polícia Civil, as negociações estão evoluindo de forma positiva e seguem no sentido de definir o local onde Azeredo irá se entregar. De acordo com o delegado, a própria defesa procurou a corporação, na tentativa de um acordo que cause o mínimo de constrangimento possível a seu cliente.

Os detalhes da negociação não foram divulgados pela PC. “Não vamos divulgar mais, só podemos dizer que as tratativas estão evoluindo positivamente”, alegou.

A expectativa era de Azeredo se entregasse na manhã desta quarta-feira (23). Na noite de ontem, o advogado Castellar Guimarães Neto chegou a negociar com o delegado Aloísio Fagundes, da 1ª Delegacia Distrital de Belo Horizonte, no bairro Santo Antônio, região Centro-Sul da capital. Até o momento, porém, o tucano não se apresentou em nenhuma delegacia de Belo Horizonte. 

O TJMG emitiu na tarde de ontem um mandado de prisão imediata contra o ex-governador de Minas e, desde então, equipes policiais fazem buscas pela cidade.

Azeredo foi condenado em 2015 pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro, no processo conhecido como mensalão mineiro. Ele deverá cumprir pena de 20 anos e um mês de prisão em regime fechado.

Julgamento

Os cinco desembargadores que participaram do julgamento em segunda instância, ontem, se posicionaram contra o recurso e decidiram manter a condenação a 20 anos e 1 mês de prisão. Azeredo é julgado pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro, no processo do mensalão tucano.  Os magistrados determinaram ainda emissão imediata de mandado de prisão contra o tucano.

Este foi o último recurso com efeito suspensivo possível de ser apresentado pela defesa de Eduardo Azeredo na segunda instância, na Justiça de Minas Gerais. Ainda cabe, por parte da defesa, um recurso chamado "embargos de declaração de embargos de declaração", que, todavia, não tem a prerrogativa de mudar nenhuma das decisões tomadas pela Corte.

Segundo a sentença de Azeredo em primeira instância, o início do cumprimento da pena deve ocorrer esgotada a possibilidade de recursos na Justiça do Estado. O ex-governador completa 70 anos em setembro. Nessa idade está prevista a prescrição da pena, que leva em consideração datas como a da apresentação da denúncia. A condenação de Azeredo a 20 anos e um mês de cadeia é por peculato e lavagem de dinheiro.

O tucano foi condenado em segunda instância em agosto do ano passado. A condenação em primeira instância foi em 2015.

O caso 

Segundo denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Azeredo foi um dos principais articuladores do esquema, que, ainda conforme a promotoria, funcionava retirando recursos de estatais como o Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge) e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), e os repassava para a campanha pela reeleição de Azeredo, em 1998. Na disputa, o tucano foi derrotado por Itamar Franco. O esquema, segundo o MP, utilizava agências de publicidade de Marcos Valério para a movimentação dos recursos.


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