Foi instalado o primeiro mal-estar entre os integrantes da comissão de transição, ligados ao governador eleito Fernando Pimentel (PT), e o governo estadual. Os aliados do petista reclamam que não receberam, ainda, informações sobre a situação financeira do Estado. 
 
Faltando uma semana para o fim dos trabalhos dos integrantes da comissão, o grupo alega que dados essenciais para estruturar a nova administração não foram entregues. 
 
A comissão é composta por sete indicados por Pimentel e por dois secretários do atual governo. 
 
De acordo com o coordenador geral da comissão, indicado pelo governador eleito, Marco Antônio Rezende, as reuniões estão obedecendo o cronograma, mas ainda há muitas informações incompletas. Segundo ele, a situação financeira, a Lei de Responsabilidade Fiscal e o orçamento são os temas mais “delicados” dos encontros já realizados. 
 
Para Marco Aurélio Crocco, coordenador econômico da equipe, as informações chegam, de forma lenta, e não dizem respeito às contas.
 
“Recebemos muitas informações sobre a estrutura das secretarias, sobre projetos, programas de governo e pessoal, mas não temos informações especificas da situação financeira do Estado”, contou. 
 
Crocco também reclama do encerramento de contratos de empresas terceirizadas. “Sabemos que o governo dispensou diversos contratos, como obras de manutenção de estradas estaduais e algumas obras do Departamento de Obras Públicas do Governo de Minas Gerais (Deop), mas não sabemos os motivos pelos quais o esses compromissos foram desfeitos”, contou. 
 
Estatais
 
Marco Antônio Castello Branco, que participa da comissão de transição como indicado de Pimentel, é responsável por mapear as estatais. Afirmou que os dados repassados até o momento são de extrema importância, porém, as contas são fundamentais, para que eles possam ganhar tempo. 
 
“É essencial termos, principalmente, as informações sobre as despesas do governo. Queremos saber quanto ainda será arrecadado até o final do ano e informações sobre pessoal. Enfim, temos que ter tudo isso em mãos para que o governo Pimentel seja preparado de forma correta e transparente”, disse. 
 
Castello Branco concorda que o ponto mais alarmante é a demora no repasse de dados da situação financeira das estatais. 
 
“Precisamos levantar todos os números para podermos saber a real situação de pagamentos que devem ser feitos e do que ainda pode ser arrecadado, para saber se conseguiremos cumprir os compromissos propostos pelo governo anterior”, explicou. Castello Branco é cotado para presidir a Cemig.