Doleiro relata que pagou R$ 400 mil em propinas na sede do PT em SP

Folha Press
31/03/2015 às 17:58.
Atualizado em 16/11/2021 às 23:27
 (Divulgação/Agência Brasil)

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Em depoimento prestado no âmbito da operação "Lava Jato", o doleiro e delator do esquema de pagamento de propina na Petrobras, Alberto Youssef, afirmou que um de seus funcionários levou cerca de R$ 400 mil em propinas à sede do diretório nacional do PT, no centro de São Paulo.    O doleiro já havia relatado esse pagamento específico, que ao todo --de acordo com os depoimentos-- soma aproximadamente R$ 800 mil, conforme a Folha de S.Paulo publicou. No entanto, em seu depoimento anterior, Youssef não havia detalhado como os pagamentos foram feitos.    Questionado sobre o caso específico, Youssef diz que usou uma empresa em nome de Waldomiro Oliveira, apontado como laranja das empresas do doleiro, para repassar dinheiro ao PT, ao PP e ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, também delator do esquema.    "Foram dois valores, de 400 e poucos mil reais, que foram entregues, a mando da Toshiba, para o tesoureiro do PT, o [João] Vaccari [Neto]", diz Youssef no depoimento.    O suborno, de acordo com depoimento anterior do doleiro, teria resultado de um contrato que a Toshiba fechou com a Petrobras em 2009 para executar obras no Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), no valor de R$ 117 milhões.    Em entrevista publicada na edição do "Valor" desta terça (31), o presidente da Toshiba América do Sul, Luís Carlos Borba, afirma que foi enganado por Youssef e Paulo Roberto Costa a contratar uma das empresas de fachada do doleiro.    "O primeiro valor foi retirado no meu escritório, na [rua] Renato Paes de Barros, pela cunhada dele [Vaccari]. Eu entreguei esse valor pessoalmente", continua o doleiro. "O segundo valor foi entregue na porta do diretório do PT, nacional, pelo meu funcionário Rafael Angulo, para o funcionário da Toshiba, para que ele pudesse entregar esse valor para o Vaccari."    Desde que seu nome foi envolvido no escândalo da Petrobras, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, tem negado qualquer participação no esquema e, também, ter recebido dinheiro ilegal tanto para ele como para o partido.

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