O processo de eleições diretas que elegeu o deputado federal Odair Cunha como o novo presidente do PT mineiro ainda será alvo de debates. Uma representação foi protocolada na quarta-feira (13) no diretório nacional pedindo a anulação de resultados em diversos diretórios municipais.

Em sete cidades, onde Odair foi eleito com praticamente 100% dos votos dos filiados, os fiscais teriam sido impedidos de acompanhar a apuração. Em Itamonte, sul de Minas, uma fiscal teria sido ameaçada de morte ao tentar checar a apuração, segundo consta na representação.

Em Serrania, sul de Minas, uma petista falecida teve seu voto em Odair Cunha computado. A representação foi feita pelos candidatos derrotados Gleide Andrade, que ficou em segundo lugar com 31,7% dos votos, e Rogério Correia, com 7,6%. Odair, o novo presidente do PT, foi eleito com 59,7%.

Ele conta com o apoio do presidente estadual, Reginaldo Lopes e do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel.

“Por mais que os companheiros e as companheiras desses municípios possam ser politicamente engajados, é pouco crível que 100% dos mesmos ou percentual muito semelhante a esse tenham acorrido às urnas para votar nas eleições partidárias. O mais curioso é que todos os “votos” dessas localidades foram sufragados em favor de uma única candidatura”, registrou a representação.

Segundo uma fonte, o número de votos de Odair influencia na composição do diretório estadual, “desequilibrando a democracia dentro do PT”.

Agora, os representantes aguardam o deferimento ou não da representação. Caso a denúncia seja acatada, podem ser realizadas eleições extemporâneas nos diretórios fraudados.

O Hoje em Dia tentou contato como presidente do PT Reginaldo Lopes, mas, de acordo com sua assessoria, ele estava viajando no interior do estado, cumprindo agendas políticas. Odair Cunha também não foi localizado em seus dois telefones pessoais.