Depois de semanas de articulação política em Brasília para definir a nova equipe de governo, interrompidas por dois períodos de descanso na Base Naval de Aratu (BA), a presidente Dilma Rousseff retomará neste mês a rotina de viagens, com a previsão de agenda internacional - em Davos e na Costa Rica - e de inauguração de uma das principais vitrines de sua campanha eleitoral: a primeira Casa da Mulher Brasileira.

Em um momento marcado pelo pessimismo em torno da economia nacional, com a inflação em alta e a possibilidade de o Brasil perder o grau de investimento, Dilma deve marcar presença pelo segundo ano consecutivo no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, que ocorre de 21 a 24 de janeiro.

Segundo um auxiliar da presidente, o objetivo da viagem é intensificar o esforço do governo em promover ajuste nas contas públicas, além de atrair investimentos, fazer acenos ao mercado financeiro e reafirmar os fundamentos da política econômica.

Em seu quinto ano de governo, esta será apenas a segunda vez que Dilma irá a Davos - a primeira foi em 2014, depois de esnobar por três anos o fórum, que reúne um público altamente qualificado, formado pela elite do empresariado mundial, profissionais e políticos.

Depois de Davos, Dilma deverá ir à 3ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que ocorrerá em São José, na Costa Rica, entre os dias 28 e 29 de janeiro. O principal tema do encontro será o combate à pobreza - são esperados chefes de Estado de 33 países da América Latina e do Caribe.

A presidente também deve comparecer à posse do presidente reeleito da Bolívia, Evo Morales, retribuindo a cortesia feita por Evo, que viajou a Brasília para prestigiar a sua posse, na semana passada. A posse de Evo está marcada para o dia 21 nas ruínas de Tiwanaku, em pleno sítio arqueológico pré-colombiano; no dia seguinte, haverá solenidade na Assembleia Legislativa Plurinacional, em La Paz.

Violência

Na próxima semana, a agenda da presidente prevê viagem a Campo Grande (MS) para inaugurar a primeira unidade da Casa da Mulher Brasileira, espaço que reunirá os principais serviços para atendimento integral de vítimas de violência, informou ao jornal O Estado de S.Paulo a ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), Eleonora Menicucci. A medida faz parte do programa Mulher, Viver sem Violência, lançado por Dilma em março de 2013.

Dilma havia prometido entregar 27 unidades da Casa da Mulher Brasileira no final do primeiro mandato. A SPM alega que processos licitatórios "frustrados" e problemas operacionais "imprevisíveis" prejudicaram o cumprimento do cronograma. A implantação da Casa da Mulher Brasileira apareceu no horário eleitoral da petista em outubro, vendida como "ideia nova" para um segundo governo.