Em meio ao momento mais difícil da pandemia da Covid-19 em Minas, em que os poderes públicos deveriam se unir integralmente para buscar soluções contra o avanço do novo coronavírus, o que ganhou força no campo político, nos últimos dias, foi a antecipação do clima pré-eleitoral, visando à corrida rumo a 2022. 

Em busca do protagonismo nas ações contra a pandemia, o governador Romeu Zema (Novo) e o presidente da Assembleia Legislativa (ALMG), Agostinho Patrus (PV), disputam espaço diante de holofotes, a conquista de aliados e a paternidade de projetos que devem injetar recursos na economia, garantindo socorro, sobretudo, à população de baixa renda. 

O auge dessa disputa se deu na semana passada, quando a ALMG aprovou por unanimidade o Projeto de Lei que cria o chamado “Recomeça Minas”– programa de incentivo a atividades econômicas mais impactadas pela crise com base em recursos advindos de renegociações tributárias. 

O texto, que teve como primeiro signatário o deputado Agostinho Patrus (PV), criou também o auxílio emergencial mineiro – de autoria do próprio Patris e que fixa o benefício em R$ 600, em parcela única a ser paga até agosto, a aproximadamente 1 milhão de famílias de baixa renda. 

Pelas redes sociais, Zema anunciou o pagamento do auxílio sem citar que a iniciativa vinha da ALMG. “Apoiar as famílias que mais precisam é urgente. Por isso, vamos pagar um auxílio de R$ 500, em parcela única, para aqueles que estão em situação de extrema pobreza (renda per capita de R$ 89)”, disse. 

A fala do governador gerou descontentamento entre os parlamentares e foi rebatida pelo presidente do Legislativo. “A construção deste projeto de lei é fruto da dedicação de todos os parlamentares. É preciso garantir a recuperação econômica, o desenvolvimento social e um mínimo de dignidade às pessoas que tanto sofreram com a pandemia”, rebateu Patrus.

Prioridade para Covid

Enquanto Zema e Patrus disputam terreno em busca de aliados, o que se vê entre deputados da base de Zema, os independentes e os da oposição são esforços para dar prosseguimento à tramitação ou não de projetos considerados essenciais para os objetivos dos protagonistas. 

Enquanto o governo quer agilidade na apreciação de dois projetos – o que autoriza a inclusão de parte dos recursos provenientes do acordo da Vale e outro que regulariza a adesão do estado ao Regime de Recuperação Fiscal do governo federal –, o presidente da ALMG empreende agenda voltada a atender municípios e a conseguir recursos para atenuar os impactos da crise econômica causada pela pandemia. 

Para o cientista político Felipe Nunes, da UFMG, a aproximação das eleições fará o clima ficar ainda mais polarizado nas ações entre o Executivo e o Legislativo. “É um movimento natural procurar construir uma base de protagonismo, a fim de aglutinar aliados. Quanto mais a eleição se aproximar, mais intenso será esse movimento e, em consequência disso, maior será a briga pela narrativa política”, explica Nunes.

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