O discurso que o presidente Rui Falcão fará nesta quinta-feira na abertura do 5º Congresso do partido, em Salvador, terá críticas à condução do ajuste fiscal pela equipe econômica do governo Dilma Rousseff. Em sua fala, Falcão dirá que "é inconcebível" para os petistas uma política econômica que "seja firme com os fracos e frouxa com os fortes".

"O PT apoia o empenho da presidenta Dilma para enfrentar os desafios da conjuntura, sobretudo a disposição de dialogar amplamente com os movimentos sociais organizados e as centrais sindicais. Mas considera vital que o custo de retificação das contas públicas recaia sobre quem mais tem condições de arcar com o custo do ajuste", dirá o presidente do PT. Uma das principais reclamações do partido é que o governo não tenha proposto, neste momento de ajuste, a taxação de grandes fortunas.

Segundo Rui Falcão, "o PT não acredita que é possível retomar o crescimento provocando recessão, nem que se possa combater a inflação com juros escorchantes e desemprego de trabalhadores e máquinas". O mandatário petista cobrará da presidente Dilma Rousseff "coragem política" para enfrentar as "pressões do mercado" de capitais. Ele elogiará, porém, a iniciativa do governo de lançar um pacote de concessões de infraestrutura, citando que ele gerará emprego e investimento para alavancar o desenvolvimento.

"Não há nenhuma fatalidade que obrigue povos ou governos a capitularem diante das pressões do mercado, ou seja, dos bancos e do grande capital que dominam o planeta. É preciso ter coragem política - e a nossa presidenta a tem de sobra -, vontade de resistir e de buscar alternativas, adotando as providências necessárias para fazê-los recuar", defenderá o petista.

Falcão falará ao partido imediatamente antes do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da própria Dilma, que abreviou sua viagem à Bélgica para chegar a tempo da abertura no congresso. Segundo o ministro Edinho Silva, Dilma deve falar em seu discurso sobre a importância do apoio do PT para a sustentação do governo neste "momento difícil".