Após reunião com representantes da Polícia Militar, o governo de Minas afirmou que não vai aderir ao Projeto de Lei Complementar 257, em tramitação na Câmara Federal, que trata da renegociacão das contas dos estados. A proposta, que pode ser votada pelos deputados ainda nesta segunda (19), prevê, entre outras medidas, o congelamento dos salários dos servidores e aumento do desconto para previdência. Por causa disso, os militares realizaram um ato na manhã desta segunda e anunciaram paralisação das atividades. Atendendo a uma solicitação da categoria, o governo já se posicionou contrário ao PLC e, segundo o comandante-geral da Polícia Militar, Marco Antônio Badaró Bianchini, a paralisação está suspensa, pelo menos por enquanto.

"Estamos falando de um projeto que foi votado na Câmara dos Deputados, foi ao Senado, que incluiu exigências que nós estamos chamando de Plano de Recuperação Fiscal. Esse plano colocou imposições que nós somos absolutamente contrários. São exigências que aprofundam a crise", afirmou o secretário de Governo, Odair Cunha, que participou da reunião com representantes de associações de militares na tarde desta segunda-feira (19).

Conforme avaliação do governo, da forma como está, o projeto retira toda a autonomia financeira do Estado. "Se o texto for votado e sancionado tal qual está hoje, o governador não vai fazer adesão ao projeto. Nós entendemos que, da forma como está, ele aprofunda a crise. Proíbe, por exemplo, o repasse de transferências voluntárias para estados e municípios e publicidade de volta às aulas", explicou Cunha.

Para evitar que a proposta passe na Câmara da forma como está, o governo já acionou a bancada mineira em Brasília. "Já contactamos os deputados Fabinho Liderança e Gabriel Guimarães e já dialogamos com eles sobre a posição do Estado. Avisamos também o deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara, que achamos que o projeto precisa ser alterado", ressaltou o secretário.

A direção do Sindicato dos polícias Civis também protocolizou hoje um ofício junto ao governo informando da possibilidade de greve da categoria caso a proposta seja implementada em Minas.,

Após a reunião com o governo e até o encerramento desta reportagem, os militares ainda divergiam sobre a continuidade da greve ou não. Ao Hoje em Dia, com o término da reunião com o governo, a Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra-MG) informou que a greve seria imediatamente suspensa. Já a Associação dos Militares Estaduais de Minas Gerais (Ámem), que também encabeça a paralisação, a greve permanecerá até que a posição do governo "não passe de mais uma promessa". Presente na manifestação de mobilização da classe, o deputado Sargento Rodrigues confirmou a posição da Ámem e disse que a greve continua, pois a intenção é a não aprovação do projeto, o que independe de adesão individual dos estados. Já o comandante-geral da PM, Marco Antônio Badaró Bianchini, disse que a greve está suspensa e orienta aos militares que trabalhem normalmente.

Confira o vídeo com o comunicado do comandante:

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