A disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte em 2016 ganhou um elemento novo que deve influenciar na formação de alianças e escolha de nomes dos partidos. Um dos cotados do PMDB para as eleições municipais na capital, o deputado federal Leonardo Quintão, agora é líder do partido na Câmara dos Deputados.

Tal posição daria ao parlamentar uma vantagem pela indicação à candidatura pelo partido, que tem ainda outros dois nomes em análise: o atual secretário de Estado de Meio Ambiente, Sávio Souza Cruz, e o empresário Josué Gomes. A postura e força de Quintão no PMDB a partir desta nova colocação pode ainda impactar na composição com outros partidos, como é o caso do PT.

Peemedebistas e petistas já deram início às negociações a fim de confirmar uma parceria para uma candidatura à PBH, como ocorreu na corrida pelo governo do Estado. Mas essa união já está ameaçada por causa da proximidade aparente entre Quintão e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). “Tudo vai depender da atuação dele. Se estiver aliado com Cunha não existe a menor hipótese de aliança com o PT. Se for por esse caminho, acho que ele perde qualquer possibilidade eleitoral. Acho que ele acaba se isolando”, afirma o deputado petista Rogério Correia.

Composição

A inviabilização de uma aliança entre PT e PMDB abriria caminho para uma composição do partido de Quintão com o PSDB. Em nível federal, peemedebistas e tucanos têm se mostrado alinhados no que diz respeito à formação de uma ala forte pró-impeachment da presidente Dilma Roussef (PT). Optando por esta via, Quintão pode acabar por traçar um caminho semelhante em Minas.

“Se ele tiver a posição de defesa do Cunha, acho que não consegue sair candidato em Minas, mas pode acabar fechando com a oposição. É como se diz: um gambá cheira o outro”, alega Rogério Correia.

Esse tipo de associação ainda é tratada com muita cautela pelos tucanos. Nome cotado do PSDB para concorrer à PBH, o deputado João Vítor Xavier prefere não se precipitar sobre um eventual cenário futuro. “Isso depende de como ficará o casamento entre os partidos em Brasília. Eu acho que a composição federal (PT/PMDB) não se sustenta até 2016. A partir daí, vamos ver quais serão os reflexos aqui”, argumenta o parlamentar . Ele também acredita que Quintão ganhou força.

Relacionamento

Esse crescimento político de Quintão pode impactar até mesmo o relacionamento dos peemedebistas com o governo do Estado, gerado por uma aliança entre PT e PMDB. Enquanto a ala mineira dos partidos preza a união, Quintão pode se tornar ponto de discordância com o governo Fernando Pimentel. Apesar de reconhecer e elogiar a projeção do correligionário, o deputado Ivair Nogueira não acredita que Quintão saia na frente para a disputa em BH. “Aqui em Minas é diferente. Temos excelente relacionamento com Pimentel”.

Quintão fica de fora da reunião de líderes com ministro Berzoini

BRASÍLIA – O novo líder do PMDB na Câmara, a Leonardo Quintão (MG), ficou de fora, nessa quinta (10), de reunião de líderes partidários com o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini. Na quarta (9), o deputado federal Leonardo Picciani (PMDB-RJ), de posição governista, foi substituído pelo colega, que assumiu o comando da legenda na Casa após movimento de ala oposicionista do PMDB.

Berzoini afirmou nessa quinta (10) que ainda não há, por parte do Planalto, uma definição sobre as relações com o novo líder do PMDB na Câmara, e disse que o governo “não foi comunicado” sobre a troca da liderança do principal partido da base aliada da presidente Dilma Rousseff.

O Planalto trabalhou pela manutenção do então líder Leonardo Picciani (RJ). Com a destituição do peemedebista fluminense, perdeu um aliado fundamental na busca de apoio do PMDB contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. A atuação do vice-presidente, Michel Temer, segundo integrantes do PMDB, foi crucial para a destituição de Picciani. O novo líder já avisou, inclusive, que as decisões da bancada também passarão por Temer.

Movimentação

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), condenou nessa quinta (10) a movimentação para fazer com que deputados licenciados reassumam o mandato para restituir Leonardo Picciani (PMDB-RJ) na liderança da bancada. E previu que o clima não vai melhorar com a indicação do deputado Leonardo Quintão (MG). “Isso é uma guerra que não vai parar. O ideal é que se fizesse nova eleição”.

Cunha disse ainda que a relação política entre governo e o seu partido “está em ebulição”, provocando um movimento pela convocação extraordinária da convenção prevista para março, e assim adiantar o fim a aliança com o governo Dilma Rousseff.

Supremo

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, marcou para o dia 16 a sessão na qual submeterá sua decisão sobre a condução do pedido de processo de impeachment contra da presidente Dilma, feita por Cunha na Câmara. Ele suspendeu a formação da comissão especial a pedido do PCdoB, que entrou com ação contestando a votação secreta. Fachin irá propor um rito para evitar que o procedimento de impeachment seja alvo de questionamento na Corte até o fim do processo.

(*) Com Agências