O escritório TheGrantLawFirm, dos Estados Unidos, quer incluir a firma de auditoria PricewaterhouseCoopers como ré nas ações coletivas abertas contra a Petrobras na Corte de Nova York, de acordo com um comunicado do escritório à imprensa divulgado nesta terça-feira, 3.

A Price "repetidas vezes emitiu opiniões de auditorias qualificadas" sobre os resultados financeiros da Petrobras no período coberto pelas ações judiciais, que vai de maio de 2010 a novembro do ano passado. Por isso a intenção do escritório de incluir a Price nas ações já abertas na Corte contra a Petrobras, disse ao Broadcast o advogado do escritório, Jorge Amador.

O escritório destaca que a firma de auditoria avalizou informações que fazem parte do relatório 20F, um documento que precisa ser arquivado na Securities and Exchange Commission (SEC, que regula o mercado de capitais dos EUA). Os demonstrativos, destaca o comunicado, tinham ativos inflados, incluindo plantas, equipamentos e outras propriedades da Petrobras.

Os ativos eram inflados, destaca o escritório, para encobrir um suposto esquema de pagamento de propinas e lavagem de dinheiro, que agora estão sendo investigados. Com a revelação do esquema de corrupção, os papéis da Petrobras tiveram forte queda no mercado financeiro e os investidores passaram a ter prejuízos.

"Durante o período da ação, a Price revisou ainda as declarações financeiras trimestrais da Petrobras apresentadas mediante o Formulário 6-K perante à SEC, consentindo em usar suas opiniões de auditoria qualificadas nas declarações de registro da empresa", de acordo com o documento do escritório, que tem sede em Nova York. O balanço do terceiro trimestre, apresentado na semana passada pela Petrobras, porém, não foi assinado pela Price.

Até agora, há cinco ações coletivas abertas contra a Petrobras nos EUA, das quais uma é da cidade de Providence, do Estado de Rhode Island, e as demais de investidores, de acordo com o sistema Pacer, que coleta dados da Justiça dos EUA. Ao todo, 13 escritórios anunciaram que procuram investidores que desejam participar destas ações. Os investidores interessados em fazer parte das ações têm até o dia 6 deste mês. Em seguida, o juiz da Corte de Nova York vai decidir se aceita a ação e ver quem será o líder e o escritório que vai representar os investidores. Normalmente, o investidor com mais perdas é o líder.

As ações coletivas dos investidores incluem apenas a Petrobras como ré. Já a da cidade de Providence inclui, além da petroleira, a diretoria, sua presidente Graça Foster, e bancos brasileiros e estrangeiros que cuidaram da emissão de bônus da empresa no exterior, além de funcionários de subsidiárias internacionais da companhia.

A agência de classificação de risco Moody's afirmou hoje que é "impossível" neste momento avaliar o valor das multas que a Petrobras teria que pagar no Brasil e nos EUA e que as investigações e litígios podem demorar anos para serem resolvidos.