A uma semana das eleições para o governo do Estado e sem apresentar programas de governo, os três principais candidatos na disputa, Fernando Pimentel (PT), Pimenta da Veiga (PSDB) e Tarcísio Delgado (PSB) confiam no “critério emocional” do eleitor e na força de sua trajetória política para tentar vencer o pleito do dia 5 de outubro. De acordo com especialistas ouvidos pelo Hoje em Dia, o fato de a campanha deste ano não ter se baseado em discussões sobre propostas, mas sim, em promessas de ampliação do que já foi feito enquanto os postulantes eram ministros ou prefeitos, indica que a escolha do cidadão será pautada no imaginário.

“No Brasil, você é capaz de votar em um candidato que não tem plano de governo. A massa do eleitorado que vota sem se importar com isso é relevante. Votam na pessoa e não na ideologia ou nas metas para o governo. O candidato é escolhido com base no que ele representou na política, no passado, mais do que pela especificação das propostas dele. O eleitor pensa nos ganhos pessoais, nas bolsas que ele pode receber, porque em geral a escolaridade é baixa e ele não tem muita noção de macroeconomia e do valor da coisa pública”, afirma o cientista político e professor da PUC Minas Gilberto Barros Damasceno.

Para o especialista em marketing político Daniel Machado, é “assustador” que o eleitor não tenha em mãos as propostas às vésperas do dia da votação. Ele acredita que sem esse documento, o cidadão se distancia da política. “Os debates na TV não favorecem a discussão e sem plano de governo, o cidadão não tem onde pegar referências. Além da ausência do debate propositivo, o eleitor começa a questionar a isenção de pesquisas de intenção de voto”, diz.

No ninho petista, uma reunião interna foi marcada na tarde de sexta-feira (26) para definir detalhes e data para divulgação do plano de governo, segundo um filiado que participa das articulações. Até o momento, não há previsão de data. O presidente da sigla em Minas, deputado federal Odair Cunha, se limitou a comentar que “o PT tem o melhor candidato e a melhor proposta” e que os mineiros têm informações “suficientes para garantir a vitória petista”.

Conforme um tucano que participou da elaboração do plano de governo de Pimenta da Veiga (PSDB), o documento está pronto, porém, a data depende apenas da vontade do candidato. Oficialmente, a assessoria de imprensa da coligação “Todos por Minas” informa que será na semana que vem, mas o dia não foi efinido.

O coordenador da campanha de Pimenta, Danilo de Castro (PSDB), também evita cravar uma data. “Quem cuida do programa é o Paulo Paiva, eu não tenho essa informação. Estamos indo bem na campanha, o número de indecisos ainda é muito grande, bem maior que a porcentagem dada pelo Ibope, segundo nossas pesquisas internas, e estamos trabalhando dentro da previsão inicial”, resume. Tarcísio Delgado não deverá apresentar, já que tem dito, nas últimas agendas de campanha, que irá regionalizar o programa de Marina Silva (PSB) e que “não tem prato feito”. “Preciso chegar lá, ver como está e o que dá para fazer”.

Relação pessoal define escolha de parlamentar

Nas eleições proporcionais, o fator preponderante para definir o voto, ainda de acordo com especialistas, é a relação pessoal com o candidato ou por recomendação de um conhecido. De acordo com Daniel Machado, o eleitor não se decide pelo partido, mas via cabos eleitorais.

“A escolha antigamente se dava pelas fronteiras de influência de cada candidato por região do Estado, que tinha nomes fortes que representavam certas
cidades. Hoje, pesa muito mais o personalismo, porque temos vários candidatos do mesmo partido. Cada postulante faz a sua parte, aumentando a influência de
um prefeito ou vereador que o apoia no processo de escolha do eleitor”, comenta.

A ideia é compartilhada por Gilberto Barros, que acredita na escolha de “última hora”. “Para definir deputado e senador, a pessoa confia na ligação de parentesco, na indicação de um parente, em geral, prevendo algum tipo de benefício para a sua cidade ou região”, diz.

Pimentel e Pimenta com posturas diferentes

Gilberto Barros observa que para o candidato que está em primeiro lugar nas pesquisas em Minas, Fernando Pimentel (PT), O ideal, a esta altura
da disputa, é ficar longe de polêmicas. “Ele agora deve torcer para ter vitória em primeiro turno noEstado e, se Aécio Neves (PSDB) ficar em terceiro
lugar na corrida presidencial, Pimentel será beneficiado indiretamente. Isso porque, no caso de segundo turno em Minas, o senador interviria mais fortemente na campanha”.

Pimenta, por sua vez, deverá manter, para o especialista, a postura crítica na tentativa de desgastar seu principal concorrente, já que o tucano não tem a “presença cotidiana” de Aécio, como ocorreu com o ex-governador Antonio Anastasia (PSDB) em 2010. “Aécio estava o tempo todo na cola de Anastasia.
Ele até vem muito a Minas, na comparação com Dilma Rousseff (PT) e Marina, mas tem que cuidar da campanha para presidente também”.