Pesquisa da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) mostra que a maioria dos agentes não está feliz na instituição: 86% dos entrevistados sairiam da PF se pudessem, 77% não recomendariam a PF para os amigos, 30% já tiveram que se submeter a tratamento psicológico ou psiquiátrico, 70% apontam que o trabalho na PF já prejudicou sua saúde, 75% reclamam que os chefes são indicados politicamente, 76% acham que os chefes não têm condições de liderar e motivar os subordinados, e 90% se sentem sub-aproveitados no órgão.

A pesquisa sobre o ambiente organizacional em sua base de sindicalizados ouviu 2.360 agentes, utilizando um sistema baseado no envio de mensagens eletrônicas e criptografadas. O motivo foi o alto índice de doenças psíquicas e até de suicídios entre servidores da PF desde 1996. O levantamento, feito entre os dias 6 e 11 deste mês, mostrou os sintomas de uma gestão de recursos humanos que privilegia os cargos de delegado e perito, enquanto segrega as demais categorias das oportunidades de crescimento e reconhecimento profissional, diz a Fenapef.

Em resposta, os agentes participam nesta terça-feira (16) em Brasília da Marcha pela Reforma da Polícia Federal e do lançamento da Frente Parlamentar em Apoio pela Reestruturação da Polícia Federal. A concentração será em frente à Sede do Departamento de Polícia Federal (DPF) a partir das 9 horas, e seguirá até o Congresso Nacional, onde será lançada a Frente Parlamentar, às 14 horas, no auditório Freitas Nobre da Câmara dos Deputados.

Com a adesão de 282 deputados, a frente será presidida por Otoniel Lima (PRB-SP). O objetivo é discutir a situação atual da PF, as condições de trabalho e os serviços oferecidos à população, para propor mudanças em sua estrutura orgânica e de carreira, além de melhorias nas condições de trabalho destes servidores e aumento da qualidade das investigações.