O juiz Vallisney de Souza Oliveira, titular da 10ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal, suspendeu a audiência para ouvir as primeiras testemunhas indicadas pelos réus de uma ação penal decorrente da Operação Zelotes. Um problema técnico na gravação dos depoimentos fez com que os trabalhos da manhã fossem suspensos. Até agora, quatro pessoas já foram ouvidas.

No período da tarde, está previsto o depoimento do ex-ministro Gilberto Carvalho que foi chamado como testemunha. “Nunca vi essa pessoa na minha vida”, disse o ex-ministro aos jornalistas, ao chegar ao prédio onde ocorre a audiência. Carvalho foi inicialmente arrolado como testemunha pela defesa do lobista Alexandre Paes.

“Na verdade, arrolamos Gilberto Carvalho como testemunha da defesa de Alexandre Paes dos Santos. Todavia, como houve uma limitação ilegal e inconstitucional do número de testemunha limitando em apenas 12, e entendemos que não era suficiente e como percebemos que Gilberto Carvalho havia sido arrolado por outros co-réus, desistimos de ouvi-lo em nome do Alexandre para que ele fosse ouvido como testemunha de outro réu para que pudéssemos aproveitar melhor o nosso número limitado de testemunhas”, explicou o advogado de Paes, Marcelo Leal.

A Operação Zelotes investiga a manipulação de julgamentos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), do Ministério da Fazenda, além da suposta compra de medidas provisórias.

A primeira audiência para ouvir as testemunhas estava marcada para sexta-feira (22), mas foi adiada para hoje, pois um dos denunciados, Fernando César de Moreira Mesquita, não foi intimado. Nesta fase de depoimentos, estão incluídas 98 testemunhas que foram indicadas pelos réus e pelo juiz.

 

Lobistas

Dois dos réus presos por envolvimento no esquema de "compra" de medidas provisórias confrontaram o procurador da República Frederico Paiva ao deixarem sala de audiências na Justiça Federal em Brasília, na manhã desta segunda-feira (25). Os lobistas Alexandre Paes dos Santos, conhecido como 'APS', e Mauro Marcondes, presos desde outubro, deixavam a sala sem qualquer escolta quando se depararam com o procurador, que conversava com jornalistas.

Com semblante fechado, APS encarou o representante do Ministério Público diretamente e parou para ouvir a entrevista. Desconfortável ao ver os réus, o procurador comentou: "Vamos ter plateia?".

O lobista perguntou: "A defesa pode dar entrevista?". "Pode, pode fazer as perguntas", respondeu. O lobista continuou: "Eu só conhecia o senhor pela denúncia, não sabia quem era o senhor. Só tinha visto no processo seu nome e nunca tinha visto o senhor". "E gostou?", rebateu o procurador. "É bom saber quem me acusa, né?", disse APS. Paiva encerrou o diálogo: "Eu não acuso, eu sou Ministério Público, eu sou um servidor público. Represento uma instituição."

Os dois réus foram embora juntos, ainda sem a escolta policial. Os réus acompanham os depoimentos sem uso de algemas, por decisão do juiz Vallisney Oliveira, que conduz o caso na 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília. O magistrado também definiu que não são os agentes penitenciários os acompanhantes dos presos dentro da sala, o que importaria na escolta de dois agentes armados para cada preso.

No caso, quem faz a segurança da sala são integrantes da Polícia Federal. Segundo pessoas que trabalham na Corte, o juiz costuma usar medidas mais rigorosas apenas quando os réus são acusados de crimes como tráfico e roubo.

Entre os presentes estão o ex-chefe de gabinete do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva Gilberto Carvalho e o atual secretário executivo do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira. Os depoimentos foram suspensos e serão retomados ainda nesta segunda.