A defesa de Eduardo Hermelino Leite, vice-presidente da Camargo Corrêa preso desde novembro em Curitiba, enviou à Justiça Federal do Paraná um novo pedido de liberdade argumentando que a denúncia contra seu cliente é inepta e que ele deveria ser sumariamente absolvido.
 
Assinado por cinco advogados, o documento é uma "resposta à acusação" feita pelo Ministério Público contra Leite, réu em processos relativos à operação "Lava Jato".
Apesar de o executivo já ter tido pedidos de liberdade negados em instâncias superiores da Justiça, o material foi enviado ao juiz federal Sergio Moro, que determinou a prisão e cuida das ações na primeira instância, no Paraná.
 
Segundo mensagens interceptadas pelos investigadores, Leite era próximo de Alberto Youssef, um dos delatores do esquema. Em uma delas, o doleiro chama o executivo de "amigo" e reclama que adiantou dinheiro para a empreiteira e não foi pago.
 
De acordo com os advogados, há uma série de problemas na denúncia. Eles dizem que Leite é acusado de organização criminosa por fatos que datam de 2004 a 2014, mas que a lei que tipificou o crime só foi editada em 2013.
 
Além disso, afirmam que não há especificação das condutas do executivo, mas citações a acordos empresariais. Os defensores sustentam que Leite está sendo acusado só por ser da direção da empreiteira. "Está respondendo [...] pelo que é, e não pelo que efetivamente teria feito", dizem.
 
Os advogados citam que o executivo não participou da fase inicial das licitações com a Petrobras na condição de diretor de Óleo e Gás da empresa e que a denúncia do Ministério Público é genérica, o que inviabiliza a ampla defesa.
 
A defesa também enviou um documento à Justiça na tentativa de retirar o caso de Moro, argumentando que os processos relativos a organização criminosa e corrupção deveriam ser analisados pela Justiça do Rio, e os ligados a lavagem de dinheiro deveriam ser enviados para os locais onde cada crime supostamente teria sido cometido.
 
Moro só deve se manifestar em janeiro, após o recesso.