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 Nova Lima, na Grande BH, foi considerada a cidade com mais ricos do Brasil

Os prefeitos que assumirão ou continuarão nos cargos nas 853 cidades mineiras em 2021 encontrarão realidades econômicas e financeiras bem distintas entre si. E o que conta para isso não é somente a riqueza ou pobreza registrada pelos cofres municipais, algo que coloca em extremos, por exemplo, a capital Belo Horizonte, dona da maior arrecadação do Estado, e São João das Missões, na região Norte, que amarga a pior.

Nas dez cidades com mais dinheiro, houve três reeleições; nas com menos, apenas duas

Também deve-se levar em consideração a geração de recursos a partir de todas as atividades econômicas desenvolvidas localmente e a divisão do montante pela quantidade de habitantes: o chamado Produto Interno Bruto per capita. 

Nesse quesito, a discrepância entre as dez cidades mais bem posicionadas e as dez em situação mais delicada, em Minas, chega a ser assustadora, tomando-se por base um estudo divulgado em 2019 pela Fundação João Pinheiro. A diferença entre os valores anuais no município com o maior PIB per capita ( São Gonçalo do Rio Abaixo, na Região Central de Minas), e o que tem o menor (de novo São João das Missões, no Norte mineiro), por exemplo, é de mais de 4.600%: R$ 290 mil no primeiro e R$ 6 mil no segundo.

 

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Já São J. das Missões, no Norte de Minas, é dona de um dos piores IDHs do Estado

Mapa político

Ao cruzar os números do PIB per capita com o desfecho da eleição de domingo, outros aspectos chamam a atenção nos rankings. Tanto nos municípios com maiores “rendas” (5 na região Central, 2 no Sul, 2 no Triângulo e 1 no Campo das Vertentes) quanto nos de menor PIB per capita (todos no Norte, Vale do Mucuri ou Jequitinhonha), apenas três de cada grupo de prefeitos é de partidos esquerda. 

Entre os ricos, o PDT tem duas prefeituras, seguido por DEM, Progressistas, Solidariedade, MDB, Patriota, Cidadania, PSB e PSC, cada qual com uma cidade. Já no caso dos ‘pobres”, o Republicanos se destaca com três prefeituras. PT (duas) e PSB, PSD, Progressistas, Cidadania e Pros, com uma, completam o quadro.

Além disso, nas cidades com mais dinheiro, houve três reeleições: João Batista (DEM), em Extrema, Renata Borges (Progressistas), em Araporã, e Paulo Sérgio (PSB), em São José da Barra. Naquelas com economia mais precária, foram apenas duas, ambas do Republicanos: Heber Neiva, em Caraí e Juca do Sindicato, em Monte Formoso.

Com mais ou menos recursos, incertezas e necessidade de mudanças pautam vencedores

O presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Julvan Lacerda, acredita que não apenas os vencedores da eleição nas cidades mais pobres, mas também os novos prefeitos com melhores arrecadações devem ter dias difíceis em 2021. 
“Estamos num cenário incerto. Este ano, houve injeção de recursos tanto públicos quanto privados na economia dos municípios, por causa da pandemia, que deram certa estabilidade às prefeituras”, diz.

“A hora que esse dinheiro não estiver mais sendo injetado, com as despesas sempre aumentando e as receitas estagnadas, tanto quem tem boa arrecadação própria, como os mais ricos, quanto os que dependem de repasses constitucionais – aliás, a maioria das cidades mineiras está nessa situação –, vão sofrer”, completa, lembrando que as prefeituras maiores teriam, talvez, um pouco menos de dificuldades. Para Lacerda, uma solução mais ampla passaria necessariamente pela “justiça federativa”, eliminando a concentração de recursos nas mãos da União.

O prefeito eleito de São João das Missões, dona do menor PIB per capita de Minas, Jair Xakriabá (Republicanos), cita um agravante à situação em seu município, onde 70% da população é indígena. “Temos o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Minas, mesmo recebendo muitas verbas federais e estaduais destinadas à reserva indígena. Será preciso fazer amplos cortes em despesas desnecessárias na prefeitura e parcerias públicas e privadas para melhorar nossos indicadores”.

Embora pareça oposto ao de São João, o caso de Nova Lima, 8ª cidade no ranking do melhor PIB per capita de Minas e recentemente apontada como local de maior concentração de ricos do Brasil, inspira mudanças de rumo, segundo o prefeito eleito João Marcelo (Cidadania). 

“Este ano, batemos recorde de receita, com R$ 800 milhões nos cofres. Mas, na prática, apesar da alta arrecadação, não vivemos em uma cidade rica porque esses recursos não são distribuídos para a população. Enquanto temos bairros sofisticados como o Vila da Serra e alguns condomínios, há regiões onde vivem populações em situação de pobreza e extrema pobreza”, afirma. “Nosso desafio é fazer com que a arrecadação seja bem distribuída e chegue até as pessoas, na forma de serviços públicos eficientes e de oportunidades para todos”.

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