Poucas horas após ser indiciado pela Polícia Federal (PF) por suposta participação em três crimes - falsidade ideológica, associação criminosa e apropriação indébita -, o ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio foi informado de que permanecerá no cargo. O presidente Jair Bolsonaro (PSL) declarou, através de seu porta-voz, que não pretende tirar o mineiro da função.

"O presidente da República aguardará o desenrolar do processo. O ministro permanece no cargo", disse o general Otávio Rêgo Barros, ao ser questionado sobre como ficava a situação de Marcelo Álvaro no governo após o indiciamento pela PF de Minas Gerais. Desde o início das investigações, que começaram em abril, Bolsonaro declarava que iria aguardar a apuração da PF para definir o futuro do ministro à frente da pasta.

Conforme o inquérito, Marcelo Álvaro, que no último pleito foi eleito deputado federal por Minas, foi apontado como o articulador do esquema de candidaturas "laranjas" de mulheres pelo PSL, criado para desvio de recurso público. O ministro foi procurado pela reportagem do Hoje em Dia e declarou inocência. "A verdade prevalecerá", afirmou em nota.

Segundo as investigações, o partido do presidente Jair Bolsonaro teria utilizado candidatas em disputas de fachada para acessar recursos de fundo eleitoral exclusivo para mulheres. A PF já havia indiciado quatro ex-candidatas que teriam sido laranjas. O total de votos recebido pelas quatro foi próximo de 2.100. Elas ficaram em silêncio durante a audiência na PF, que as enquadrou por falsidade ideológica, aplicação irregular de verba e associação criminosa.

Defesa

O ministro Marcelo Álvaro disse que ainda não foi notificado oficialmente da decisão, "mas reafirma sua confiança na Justiça e reforça sua convicção de que a verdade prevalecerá e sua inocência será comprovada".  Além disso, Marcelo Álvaro reafirmou que está sendo alvo de uma campanha difamatória e mentirosa. "O ministro reitera que não cometeu qualquer irregularidade na campanha eleitoral de 2018. Vale lembrar que esta é apenas mais uma etapa de investigação e o ministro segue confiante de que ficará comprovada sua inocência", declarou em nota, enviada pela pasta.

Irregularidade

Desde fevereiro, a PF apurava a denúncia de que quatro candidatas aos cargos de deputadas estadual e federal pelo PSL teriam sido usadas como laranjas do partido no pleito de 2018. Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), as candidatas acusam o atual ministro do Turismo de ser o pivô do esquema, ao cobrar a devolução para o diretório do PSL de parte do dinheiro destinado às candidaturas femininas. O objetivo, segundo a PF, seria maquiar para a Justiça Eleitoral a destinação obrigatória de 30% do dinheiro do Fundo Eleitoral para as mulheres.

As investigações apontam que as candidaturas-laranja tiveram um custo até 30 vezes maior do que outras do PSL em Minas. Enquanto uma candidatura de um deputado eleito gera um gasto médio de R$ 10 por voto, no caso dessas candidatas, o gasto ficou entre R$ 150 e R$ 300, segundo o delegado federal Marinho Rezende. 

“Sufrágio Ostentação”

No fim de abril, a Polícia Federal (PF) deflagrou a primeira fase da operação “Sufrágio Ostentação” e cumpriu mandados de apreensão em sete gráficas de Minas que teriam impresso materiais de campanha das supostas candidaturas-laranja. A corporação também apreendeu documentos e computadores na sede do PSL de Belo Horizonte. Na ocasião, ninguém foi preso. Em junho, a PF realizou a segunda fase da operação e cumpriu três mandados de prisão, sendo que um dos alvos era um assessor especial do ministro.

*Com informações de Estadão Conteúdo e Agência Brasil.

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