O enfraquecimento de um dos principais projetos da área de cultura de Minas Gerais, o Circuito Cultural Praça da Liberdade, repercutiu nessa terça (19) na sociedade, e foi motivo de debates nas classes política, artística e entre a população de modo geral.

A descontinuidade de projetos culturais, o fechamento para visitação pública do Palácio da Liberdade e o anúncio por parte da Oi de que abortou o plano de investir R$ 40 milhões no Circuito colocaram em pauta o futuro da política cultural em Minas. Os planos da Oi incluíam a transferência do Museu das Telecomunicações e do Teatro Klauss Vianna para o entorno da Praça da liberdade, além de galerias de arte.

Um requerimento de audiência pública já foi protocolado pelo deputado Lafayette Andrada (PSDB-MG) para que a Assembleia Legislativa (ALMG) discuta formalmente a situação. A proposta deverá ser analisada nesta quarta (20) pela Casa.

“Pela primeira vez na história de Belo Horizonte um espaço supera o Mercado Municipal em visitação, e é o Circuito Cultural da Praça da Liberdade. A iniciativa privada fez uma série de investimentos em hotéis em Belo Horizonte e hoje estão sofrendo com pouca ocupação. Se os turistas que estariam vindo visitar o Circuito e outras atrações nos municípios do entorno, como o Inhotim (Brumadinho), não tiverem esse espaço em Belo Horizonte, eles não vão pernoitar aqui. Portanto, é fundamental na questão social, pelo número de empregos gerados pelos hotéis e pela questão econômica, de arrecadação de impostos e dos gastos do turista em Belo Horizonte”

Agostinho Patrus - Deputado estadual pelo PV


“O governo diz que vai assumir os imóveis do Circuito, o que eu tenho certeza que não vai porque ele mesmo diz que faltam recursos. O governador mostra total incoerência porque a Secretaria de Obras solta oferta pública para que as empresas assumam determinados serviços do Estado e o governo agora toma da iniciativa privada os investimentos no Circuito. De um lado, ele quer Parcerias Público-Privadas (PPPs), e de outro, quer desconstruir PPPs. Sabemos que o Palácio da Liberdade tinha condições de continuar recebendo visitação, com número limitado, porque é assim no mundo todo em prédios antigos. Visitei uma das atrações do Circuito e fiquei impressionado com a organização e qualidade dos prédios que foram assumidos pela iniciativa privada”

Gustavo Corrêa - Deputado estadual pelo DEM


“Para olhar essa situação temos que voltar a quando foi lançado o Circuito Cultural Praça da Liberdade e 90% do setor de cultura criticou duramente a iniciativa, inclusive artistas de renome chamavam aquilo lá de Circuito Empresarial Praça da Liberdade. Ao mesmo tempo, era uma política errada de concentrar na mesma área equipamentos culturais quando se tinha uma carência enorme em toda a cidade. O governo que entrou agora suspendeu esse convênio e avalia que consegue gerir o circuito com 70% a menos (de recursos). O governo vai retomar esse Circuito e ele vai ser público. Temos hoje um circuito degradado, então, quanto tempo vai demorar, eu não sei. No caso do Palácio da Liberdade seria de 90 a 120 dias. Ele vai voltar a funcionar”

Durval Ângelo - Deputado estadual pelo PT


“A posição do governo estadual de que há dívidas e necessidade de investimentos para manter em funcionamento o Circuito e a visitação ao Palácio da Liberdade não confere com a realidade. O Palácio recebeu, somente de estudantes, 40 mil visitantes no ano passado. Eles não podem estar imaginando que o Palácio da Liberdade é para receber multidão, porque não é. É lugar de pouca presença de pessoas, mas, mesmo assim, 40 mil pessoas visitaram ano passado, algo inédito. Tudo feito com muita parceria. Aí hoje você vê o governo abrindo mão de uma parceria com a Oi, que investiria no Circuito. A classe artística, a feitura da arte e da cultura mineira empobrecem. Imagino que as notícias deram um baque, e algumas pessoas (da área) vão migrar para São Paulo, Rio”

João Leite - Deputado estadual pelo PSDB


“Eu acho a atitude do governo de Minas lamentável. O slogan do governador durante a campanha foi ‘ouvir as pessoas’, e ele não está ouvindo o segmento cultural, os turistas, a população. Outra decisão retrógrada foi fechar o Palácio para as visitas. É uma atitude totalmente equivocada em relação à gestão
da cultura”

Pablito - Vereador pelo PV
 

“O projeto da Praça da Liberdade foi gestado quase como uma iniciativa público-privada, que tem benefícios para a população e também para as empresas. Mas quando as empresas têm que colocar a mão no bolso, mudam de ideia com relação ao investimento e, por isso, o projeto tem que ser repensado. Sendo assim, entendo como legítima a atitude do governo de repensar o projeto e transformá-lo em um plano de Estado, com vida longa, e não algo apenas estruturante, como antes. Mas, para demonstrar transparência nas ações, a imprensa deve ter um tratamento diferenciado. A imprensa precisa ter condições de acompanhar esse processo. Eu não cercearia esse acesso, não é preciso ter medo da imprensa, que deve ser vista como aliada nessa situação”

Adriano Ventura - Vereador pelo PT


“É uma decepção. Temos uma notícia ruim atrás da outra. Isso é fruto dessa política pobre. Estamos vivendo uma situação política triste, onde eles acabam com o que está dando certo. O governo e o secretário de Cultura deveriam chamar os artistas para conversar e dar suas impressões e ideias de avanços. Estamos vendo ações políticas autoritárias”

Dudude Herrmann - Bailarina, diretora e coreógrafa


E mais
O que a suspensão de projetos do circuito cultural da praça da liberdade representa para você e para a cidade?

“A gente perde muito com esses prédios fechados. Aqui é o ponto de referência de Belo Horizonte, não pode ficar nesse abandono. Eu não frequento muito,
porque moro longe, mas as pessoas que gostariam de visitar acabam não podendo. A própria praça está abandonada, além dos prédios no entorno”

Juraci Gomes Carneiro - Advogado


“Hoje viemos de Contagem, com o pessoal do curso profissionalizante, para conhecer o museu. Eu nunca tinha ido a um museu, e fomos ao de Minas e do Metal. Eu tenho interesse de ir ao Palácio da Liberdade também, então eu e muita gente vamos perder com isso, em não poder conhecer esse patrimônio”

Lorena Rocha - Estudante


“O povo perde. Seria uma opção de lazer e cultura a mais para todos, das crianças aos adultos. E falta de dinheiro não justifica o fechamento do Palácio da Liberdade e a falta de continuidade do Circuito. Eu conheço pessoas que frequentam egostam, e que agora serão impedidos disso”

Wanderlei Marinho - Técnico em segurança do trabalho


“Eu vejo que deram uma arrumada na praça durante um certo tempo, mas agora está um descaso total. Fiquei sabendo que alguns prédios estão totalmente abandonados, o que é muito triste porque a história de Minas está aqui. É um descaso muito grande das autoridades, porque a nós, visitantes, cabe manter o espaço limpo. Dizem que falta dinheiro, mas dinheiro falta para tudo. Querendo fazer, com empenho faz”

Elizabeth Silva Ferreira - Aposentada