A Justiça de Minas Gerais acatou ação e transformou em réu o ex-coordenador técnico da seleção brasileira Carlos Alberto Parreira, além do ex-secretário extraordinário da Copa em Minas Gerais, Sérgio Barroso, e o atual secretário de Turismo e Esportes do Estado, Tiago Lacerda, que sucedeu a Barroso na extinta Secopa.
 
A ação foi proposta pelo Ministério Público Estadual por causa do contrato firmado entre o governo mineiro, o treinador e a empresa Alfa Consultoria Esportiva, assinado em abril de 2012. O objetivo do contrato, de R$ 1,2 milhão, era atrair para o Estado seleções que vieram ao Brasil disputar a Copa do Mundo.
 
Pelo acordo, Parreira atuaria como uma espécie de "embaixador" para divulgar o Estado no exterior, além de prestar consultoria a 19 municípios interessados em servir de base para seleções estrangeiras no Mundial. Ele, porém, abandonou a função sete meses depois de assinar o contrato, ao ser chamado pela Confederação Brasileira de Futebol para ser coordenador técnico - cargo do qual foi dispensado após o término da Copa do Mundo no Brasil.
 
Para os promotores, a contratação de Parreira caracterizou improbidade administrativa porque foi feita sem licitação - a justificativa do governo foi de "notória especialização". Além disso, a ação civil pública aponta irregularidade na rescisão "amigável" do contrato (em novembro de 2012), na qual o Estado pagou R$ 279 mil a Parreira.
 
Devolução
 
A Promotoria afirma que o Estado deveria exigir a devolução do dinheiro pago a Parreira, já que ele não cumpriu o contrato, que previa a entrega de dez "produtos", entre os quais relatórios sobre as 19 cidades mineiras e de cinco "tours internacionais" para contatos com confederações de futebol. Entre as medidas solicitadas à Justiça está o bloqueio de bens dos envolvidos. 
 
O governo mineiro, por meio de sua assessoria, informou que não havia sido notificado sobre a ação. Parreira não foi localizado. Na Alfa Consultoria ninguém atendeu o telefone.
 
 
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.