A pedido do Ministério Público Estadual (MPE), que investiga desvio milionário nas entidades do comércio, a Justiça em BH decretou a renovação da intervenção judicial na Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio). Também foi determinado novamente o afastamento do presidente da entidade, Lázaro Luiz Gonzaga, que chegou a ser retirado do cargo anteriormente, mas havia voltado à função.

“Foi pedida uma nova intervenção e o afastamento do presidente a fim de assegurar a lisura e a boa gestão do patrimônio das entidades”, explica o promotor Eduardo Nepomuceno, que investiga o caso. A previsão é que a apuração dure ainda entre 60 e 90 dias.

A primeira intervenção judicial na Fecomércio ocorreu em junho deste ano por meio de decisão da juíza Lucimeire Rocha, da Vara de Inquéritos Criminais da capital, que decretou segredo de Justiça no processo. A intervenção na Fecomércio é uma extensão das investigações no Serviço Social do Comércio (Sesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac).

Desvio

Conforme o Hoje em Dia mostrou com exclusividade em 13 de março, os gestores do sistema são suspeitos de desvios de recursos no valor estimado em R$ 70 milhões.

Como as entidades recebem contribuições compulsórias, os valores movimentados por elas são considerados recursos públicos. Desde 2013, a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Belo Horizonte investiga denúncia de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro nas entidades. No centro das apurações está a empresa LG Participações e Empreendimentos Ltda.

Entre as irregularidades apontadas no inquérito, chamou a atenção do MPE a compra, supostamente superfaturada, de dois imóveis no bairro São Francisco pela quantia superior a R$ 30 milhões.

Até o fechamento desta edição, a reportagem do Hoje em Dia não conseguiu localizar nenhum representante da Fecomércio ou defensor do presidente da entidade para comentar o assunto.