Produzida pela procuradora da República no Rio, Andrea Bayão Ferreira, a denúncia do caso que ficou conhecido como “mensalão de Furnas” não chegou a ser aceita pela Justiça. Ao receber o caso, o juiz federal substituto Roberto Dantes Schuman de Paula declarou que o órgão não tinha competência para a análise do caso, que foi então encaminhado à Justiça Estadual do Rio de Janeiro.

Na nova instância, o Ministério Público Estadual do Rio, por sua vez, não encampou a acusação, entendendo que os fatos carecem de investigações complementares.

Entre as fragilidades que teriam sido detectadas está a falta de aprofundamento das investigações relacionadas justamente ao núcleo petista de apoio às atividades de Nilton Monteiro, o denunciante, no financiamento e no fornecimento de padrões de assinaturas do ex-diretor de Furnas e de parlamentares, cujas ações foram flagradas pela própria Polícia Federal, em escuta autorizada pela Justiça. Além do então diretor de Furnas, Nilton Monteiro também foi denunciado pela procuradora.

Curiosamente, em dezembro de 2011, após denúncias na imprensa nacional sobre uma suposta falsificação da lista, a procuradora Andréa Bayão foi promovida e, poucos dias depois, teria concluído os trabalhos que estavam paralisados há cinco anos, antes de assumir a nova função, em Brasília, o que aconteceu no dia 6 de fevereiro de 2012.

Na investigação, o Instituto Nacional de Criminalística (INC), da Polícia Federal, em laudo realizado em 2006, apontava indícios de falsificação do documento, como “diferenças de formatação”, “deixando claro que aquela cópia não foi obtida a partir desse último documento”, realçou.