O ex-deputado Juvenil Alves admitiu, em depoimento à Polícia Federal (PF), que repassou dinheiro ao deputado estadual Durval Ângelo (PT) para gastos de campanha, não sendo os valores declarados à Justiça Eleitoral. O petista, que é presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, foi denunciado pelo Ministério Público por falsidade ideológica para fins eleitorais, conforme mostrou ontem o Hoje em Dia, com exclusividade.

No relatório da PF a que a reportagem teve acesso, e que balizou a denúncia oferecida contra Durval pelo Ministério Público, o ex-deputado conta que, durante dois anos, fez repasses mensais ao petista, chegando a sofrer ameaças do mesmo.

“O declarante repassou, em média, trinta mil reais por mês, entregues por Renato Moreira Campos a Maria Aparecida, chefe de gabinete de Durval Ângelo para fazer o que fosse melhor para a campanha e ele também usava o dinheiro para uso pessoal (sic)”, declarou Juvenil aos federais.

O deputado cassado mencionou seu coordenador de campanha, Renato Moreira, e a chefe de gabinete de Durval, Maria Aparecida de Jesus.

A PF comprovou, com dados da Receita Federal e de quebras de sigilos, que R$ 580 mil foram repassados a Maria Aparecida, conhecida como Cida. Quase R$ 900 mil foram parar na campanha do deputado do PT nas eleições de 2006. Esses valores não foram declarados.

Controle

Segundo Juvenil, o próprio Durval decidia o que fazer com os recursos por ele repassados. “Toda a destinação do dinheiro era ato discricionário do Durval; quando não repassava o dinheiro, o candidato Durval Ângelo ameaçava não apoiar a candidatura do declarante”, relata outro trecho do depoimento de Juvenil à Polícia Federal.

O deputado cassado conheceu Durval Ângelo em um seminário em Juiz de Fora. Advogado do ramo tributário, Juvenil se filiou ao PT, pelas mãos de Durval, para concorrer a deputado federal em 2006. Foi o mais bem votado na época.
“Praticamente, quem coordenou a campanha do declarante foi o candidato Durval Ângelo, pois era ele quem decidia o que fazer, qual aliança a ser feita e em que aplicar o dinheiro da campanha”, afirmou o ex-parlamentar.

Para a Polícia Federal e o Ministério Público, existem evidências do caixa 2 na campanha. “Na documentação analisada foi verificado o repasse, nos anos de 2005 e 2006, de R$ 899.503,10 do escritório de Juvenil Alves para pessoas ligadas ao deputado estadual Durval Ângelo, sendo a maioria funcionários ou ex-funcionários de seu gabinete na Assembleia Legislativa em Minas Gerais”, concluíram os federais.

A denúncia contra o deputado foi recebida pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). No entanto, Durval apresentou recurso para que não tivesse prosseguimento. Ele perdeu por duas vezes junto ao TRE. Recorreu ao TSE, que ainda não analisou o recurso.

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