A empresa de espionagem Kroll, contratada pela CPI da Petrobras para rastrear ativos no exterior de investigados na Operação 'Lava Jato', divulgou uma nota nesta tarde informando que seus trabalhos foram encerrados em 10 de junho e que aguarda um novo contrato para dar continuidade ao levantamento solicitado pela comissão. "Embora a Kroll tenha identificado uma série de indícios e sugerido próximos passos aos trabalhos de investigação, até o presente momento não houve nova contratação da Kroll pela CPI para a realização de qualquer trabalho adicional", diz a nota.

O presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), anunciou ontem que vai compartilhar com os demais membros da comissão os nomes dos investigados pela Kroll na primeira fase dos trabalhos. Até o momento, a identificação dos rastreados estava sob sigilo e era de conhecimento exclusivo de Motta e do sub-relator André Moura (PSC-SE). A alegação era que o sigilo era necessário para o andamento da investigação. Agora, o peemedebista diz que a divulgação dos investigados não traz prejuízos à apuração e que desde a contratação da consultoria, em abril deste ano, quis compartilhar as informações com outros deputados. "Eles que não quiseram", alegou.

O primeiro contrato com a CPI previa a investigação de 15 pessoas. A consultoria levantou informações sobre 12 nomes, mas a cúpula da CPI pretendia restringir as apurações em três investigados, entre elas o delator Júlio Camargo. Com a divulgação de que a comissão estaria escolhendo a quem investigar, Motta anunciou que decidirá com os colegas quantos serão rastreados e quem será o foco na próxima fase.

A comissão está prestes a fechar um novo contrato de busca patrimonial internacional com a empresa de consultoria, mas ainda negocia o valor da prestação de serviço. Embora tenha trabalhado até junho, a Kroll diz que conduziu as buscas com base nas informações fornecidas pela comissão, que o trabalho foi delimitado em tarefas, mas que não pode comentar os serviços prestados à CPI .

"A realização do trabalho seguiu os mais altos padrões de conduta profissional, consistentes com as aplicáveis leis brasileiras e internacionais, e de maneira nenhuma representou qualquer conflito ou obstáculo em relação aos importantes trabalhos realizados pelas autoridades públicas brasileiras", destaca a Kroll.