Líder do governo na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o deputado estadual Durval Ângelo (PT) foi interrogado nessa sexta-feira (23) no Fórum Lafayette, em Belo Horizonte, em processo em que é acusado de ter recebido quase R$ 900 mil, via caixa 2, do deputado federal cassado Juvenil Alves (ex-PT).

Durante quase uma hora, Durval prestou depoimento para o juiz José Ricardo dos Santos Freitas Veras. O deputado é réu por falsidade ideológica, em decorrência de desdobramento de inquérito da operação Castelhana, de 2006, que descobriu o esquema de lavagem de dinheiro e caixa 2 eleitoral de Juvenil. De acordo com os federais, Juvenil depositou a maior parte da referida quantia, R$ 580 mil, na conta corrente da atual presidente estadual do PT, Maria Aparecida de Jesus, a Cida, ex-chefe de gabinete dele na Assembleia.

Culpa

Ao Hoje em Dia, o petista refutou a tese de que a campanha dele foi abastecida com dinheiro não declarado e reforçou que a prestação de contas da campanha foi aprovada pela Justiça eleitoral.

Ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele declarou ter gasto apenas R$ 180 mil para se reeleger nas eleições de 2006.

“O que está na prestação de contas é a pura verdade. Tanto é verdade que a Justiça Federal já concordou com isso uma vez, na ação de impugnação do meu mandato eu fui absolvido aqui e no Tribunal Superior Eleitoral. Não tenho responsabilidade, culpa nenhuma. E é bom deixar bem claro que no caso de falsidade ideológica decorrente desta questão do Juvenil Alves, já tiveram outros processos e todos foram pela absolvição. Então tenho a certeza, acredito que a Corte Eleitoral de Minas Gerais vai manter a mesma decisão que já tomou há oito anos no meu caso, vai manter agora, e vai manter em relação a outros que foram também investigados”, afirmou.

Sobre o inquérito conclusivo da PF, Durval declarou: “Não existe prova nenhuma. E mais do que isso. O próprio Juvenil Alves, em juízo, negou isso. Ele afirmou no inquérito da Polícia Federal. A Polícia Federal não provou, e quando ele foi depor em juízo, que é o último depoimento que vale, ele negou”, disse.

Raiva

Durval afirmou ainda que Juvenil Alves declarou à PF que tinha repassado dinheiro a ele para gastos de campanha porque estava chateado com o partido.
“Ele disse que tinha dado essa declaração porque estava com raiva, que tinha se sentido desprotegido pelo PT, dizia que não teve apoio. Então se não houve prova em conta, se não houve prova documental, se não houve prova em perícia feita pela Polícia Federal, e se quem disse que tinha pago, que foi o Juvenil Alves, negou em juízo, então não existe matéria de jeito nenhum”.