Em reação ao poder de mobilização dos protestos favoráveis ao impeachment deste domingo (13), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu viajar nesta semana a Brasília para discutir com a presidente Dilma Rousseff a possibilidade de nomeação para um cargo na Esplanada dos Ministérios.

A decisão foi informada nesta segunda-feira (14) a ministros e a auxiliares da petista, que têm feito pressão sobre o ex-presidente para que ele aceite convite de Dilma e ajude o governo federal a evitar uma debandada de partidos da base aliada no Congresso Nacional.

Na semana passada, Lula avisou ao Palácio do Planalto que não aceitaria uma pasta até decisão da Justiça de São Paulo sobre pedido de prisão preventiva. A decisão foi tomada em uma tentativa de evitar passar a mensagem de que ele aceitaria o cargo para não ser preso.

Com a decisão da juíza Maria Priscilla Veiga Oliveira de transferir o caso ao juiz Sergio Moro, a avaliação entre ministros e petistas é de que a juíza "amarelou" e de que o petista não pode esperar a decisão do juiz da Operação "Lava Jato".

O caso irá da 4ª Vara Criminal da capital paulista à 13ª Vara Federal de Curitiba (PR), onde tramita a "Lava Jato".

De acordo com a decisão, as acusações da Promotoria de São Paulo de que Lula teria cometido crimes de lavagem de dinheiro visam "trazer para o âmbito estadual algo que já é objeto de apuração e processamento pelo Juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba (PR) e pelo Ministério Público Federal".

Em três trechos da decisão, a juíza afirma que a promotoria de São Paulo não apontou a origem da lavagem de dinheiro, ou seja, não explicou qual o crime antecedente que acumulou o dinheiro a ser lavado. As explicações que faltam, diz a juíza, correm na "Lava Jato".