Investimento em escolas integrais na periferia e aumento dos impostos sobre heranças e transações patrimoniais entre familiares. Essas foram duas bandeiras que o candidato ao governo de Minas Gerais, João Batista Mares Guia (Rede), levantou, neste domingo (19), durante caminhada na Feira Hippie e no Mercado Central de Belo Horizonte. Os demais concorrentes a governador não tiveram agenda de campanha.

O candidato da Rede Sustentabilidade conversou com comerciantes, hippies e pessoas que passeavam pelo mercado. A proposta de Mares Guia para aumentar o número de escolas de tempo integral abrange instituições das periferias da capital mineira e da região metropolitana, locais que, segundo ele, concentram o maior problema de segurança pública e a maior desigualdade social no Estado. 

“Na escola em tempo integral vou tirar os jovens das drogas, da violência, e encaminhá-los para uma boa escolarização, em que aprendam música, esportes e artes. Eles terão também uma boa qualificação técnico-tecnológica para serem encaminhados ao mercado de trabalho”, disse.

Questionado sobre como financiaria o projeto em um cenário de restrições orçamentárias, Mares Guia afirmou que aumentaria as taxas sobre heranças, que subiriam de 5% do patrimônio para 8%. O projeto pretende criar quatro faixas de taxação: 2%, 4%, 6% e 8%. A variação será de acordo com o valor da herança. “Essa medida vai levar a arrecadação atual de R$ 400 milhões para mais de R$ 800 milhões. O dinheiro será investido em escolas de tempo integral nas periferias”, garantiu.

Dentre as propostas de governo, o candidato afirmou que, se eleito, investirá em uma reforma fiscal. No projeto, ele pretende reduzir o número de secretarias estaduais, passando de 21 para 12, além de cortar 25% dos cargos comissionados e colocar em leilão público imóveis que o Estado tem e que demandam gastos com vigilância e custeio. 

Legalização das drogas

Questionado por um artesão hippie na tradicional feira que acontece aos domingos na capital, Mares Guia afirmou que não é a favor da legalização das drogas. No entanto, o candidato diz que se opõe à criminalização dos usuários. 

“Essas pessoas são os jovens da periferia, negros, das classes populares, filhos das lavadeiras, das garis, que vão para a prisão. Não é justo. Temos que oferecer a eles as soluções levar a escola em tempo integral para que a periferia tenha, como os jovens das classes médias têm, direito à inclusão social e à uma perspectiva de inclusão no mercado com bom salário. Essa é a melhor política de segurança pública”, afirmou. 

O candidato ainda ressaltou que vê o papel da polícia como complementar às medidas de socialização e escolarização na segurança pública.