A Controladoria-Geral da União (CGU) pretende concluir os processos contra empresas investigadas na Operação “Lava-Jato” até o fim deste ano. É o que disse o ministro-chefe da CGU, Valdir Simão, durante o XI Encontro Nacional de Controle Interno, realizado nesta quarta-feira (9), em Belo Horizonte, pela Controladoria-Geral do Estado de Minas Gerais em parceria com o Conselho Nacional de Controle Interno (Conaci). 
 
Ele declarou, contudo, que ainda não há conclusão de nenhum dos processos e de nenhum dos acordos de leniência. “Temos 29 processos abertos e, até o momento, seis acordos de leniência estão sendo negociados”. “Havendo provas, e isso depende de cada caso, certamente essas empresas serão punidas e declaradas inidôneas”, completou o ministro-chefe.
 
Acordo de leniência é aquele em que uma empresa ou pessoa física envolvida em ilegalidade denuncia o esquema e se compromete a auxiliar um órgão público na investigação. Em troca, pode receber benefícios como redução de pena e isenção do pagamento de multa. 
 
Questionado sobre rumores de que as empreiteiras Andrade Gutierrez, Mendes Júnior e Odebrecht, envolvidas na “Lava-Jato”, seriam as primeiras a serem declaradas inidôneas, Simão reiterou que o andamento dos processos é confidencial e que é muito cedo para dizer se os acordos serão firmados ou não. “Não posso adiantar andamento de cada processo, os acordos de leniência também são feitos em sigilo, somente após firmados é que podem ser divulgados”. 
 
Sobre o adiamento de prazo concedido pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para o governo explicar as possíveis irregularidades nas contas de 2014 da presidente Dilma Rousseff (PT), o ministro-chefe da CGU afirmou que é um processo natural da análise de contas e que as informações estão a cargo da Advocacia-Geral da União (AGU).
 
Controle patrimonial em Minas
 
No evento, o controlador-geral do Estado, Mário Vinícius Claussen Spinelli, informou que, a partir do ano que vem, Minas começará a usar o mesmo modelo de controle de evolução patrimonial de servidores públicos de São Paulo. 
 
"Utilizaremos esse mesmo tipo de controle, que culminou com a identificação da máfia dos fiscais. Ele analisa se o agente possui patrimônio compatível com o salário que recebe", disse. "O tempo de efetivação é o necessário para implantar a sistemática que envolve o desenvolvimento do sistema no Estado e acredito que a partir do ano que vem esse modelo já comece a ser usado aqui", concluiu Spinelli.