Em menos de uma semana, a Câmara Municipal de Belo Horizonte, cujas 41 cadeiras deverão ser disputadas por centenas de candidatos à eleição e à reeleição, em novembro, foi palco de duas grandes operações da Polícia Civil. A primeira cumpriu mandados relativos a uma investigação de homicídio, no gabinete do vereador Ronaldo Batista (PSC). A segunda, ontem, envolveu o ex-presidente e hoje líder do prefeito na Casa, Léo Burguês (PSL), e era ligada a supostos crimes de “rachadinha”, corrupção e contratação de servidores fantasmas.

Engana-se quem pensa que confusões envolvendo os atuais ocupantes do Legislativo municipal sejam exclusivas dos últimos dias. Desde a posse dos vereadores, em 2017, o dia a dia da Câmara tem sido marcado por denúncias de crimes de desvio de dinheiro público, tráfico de influência e até por agressões físicas entre parlamentares. 

Basta lembrar que, em 2019, dois vereadores foram cassados, inaugurando procedimentos inéditos no Legislativo de BH desde sua fundação, em 1936. Em agosto, Cláudio Duarte (PSL) foi o estreante: perdeu o mandato (e deu lugar ao suplente Ronaldo Batista) sob a acusação de “rachadinha”. Três meses depois, Wellington Magalhães (DC) também foi sacado do cargo, denunciado por tráfico de influência, ameaças, recebimento de propinas e fraudes. 

Para o cientista político Malco Camargo, as sucessivas situações desfavoráveis à imagem dos vereadores de BH, nos últimos anos, podem se traduzir em ampla mudança na composição do parlamento, em novembro. “Sem nenhuma dúvida, esse conjunto de ações negativas que envolvem o atual Legislativo faz com que a probabilidade da renovação seja maior”, afirma ele. “É bom lembrar que o eleitor é responsável pelo andamento da política brasileira e certamente fará uma avaliação: se valeu ou não a pena seu voto no pleito anterior”, acrescenta. 

Já o também cientista político e professor da UFMG Bruno Reis acredita que, apesar da aparente “degradação”, ainda não se pode cravar uma grande renovação. Um dos motivos seria a alta “pulverização de votos” para o Legislativo municipal. “Como, para se eleger, a porcentagem dos votos totais é baixa, mesmo quem tiver rejeição por causa de exposição negativa poderia vencer, se contasse com uma rede fiel de eleitores”, explica.

Sigilo

No caso de ontem, a polícia não deu detalhes, alegando sigilo de Justiça. Vereador desde 2001 e protagonista de polêmicas, Léo Burguês divulgou nota, dizendo-se surpreso com a ação. “Não posso me manifestar sobre o motivo, por ainda ser desconhecido pra mim e meus advogados. Ressalto que todos os atos da minha vida são pautados pela licitude e honradez”, afirmou. Já a PBH não quis se manifestar sobre a operação contra o líder do governo.