O vice-presidente Michel Temer afirmou na tarde desta segunda-feira (18) que a "tendência" é que o corte no Orçamento seja menor na medida em que o Congresso aprove o ajuste fiscal e preserve a economia projetada pelo governo. "É evidente que, na medida em que se aprove o ajuste fiscal, a tendência é cortar menos", disse.

Entre as medidas em análise, Temer deu destaque ao projeto que revê a política de desoneração da folha, que deve ser votado na Câmara nesta quarta-feira (20). A articulação política do governo, comandada por Temer, tenta evitar o afrouxamento do texto, que aumenta as alíquotas de empresas que recolhem com base na desoneração da folha. A preocupação é que o relatório do líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), ainda não é conhecido e o deputado já declarou que quer adiar a eficácia do texto para o ano que vem. "Especialmente (a votação do projeto) das desonerações, é importante para saber exatamente o tamanho do corte", declarou Temer.

A avaliação da equipe econômica é que as emendas incluídas pelos deputados nas medidas provisórias que enderecem o acesso a benefícios trabalhistas e previdenciários reduziram a economia inicialmente projetada, o que gerou a necessidade de um bloqueio ainda mais severo no Orçamento. O corte discutido hoje varia de R$ 65 bilhões a R$ 78 bilhões e a prioridade do Planalto nesta semana será tentar evitar que o projeto de lei das desonerações seja desconfigurado.