O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse nesta quarta-feira (26), durante sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, que a Operação "Lava Jato" não traz impacto para o Produto Interno Bruto (PIB). De acordo com ele, o esquema de corrupção desenvolvido na Petrobras é que traz o impacto econômico. "A atuação da "Lava Jato" não impactou o PIB, o que impactou foi a atuação criminosa em detrimento da Petrobras, o que a gente faz é investigar", disse Janot, ao afirmar ter lido nos jornais a informação sobre o impacto de um ponto no PIB por conta dos desvios.

No final de julho, a presidente Dilma Rousseff afirmou a ministros em reunião da coordenação política que a "Lava Jato" tirou um ponto porcentual do PIB.

"Estamos tratando bem a questão da corrupção, estamos evoluindo nesta matéria", afirmou Janot. Ele citou as dez propostas de combate à corrupção enviadas pelo Ministério Público Federal ao Congresso.

Vazamento

O procurador-geral da República disse ainda estar certo de que o vazamento de supostos nomes citados pelo empreiteiro Ricardo Pessoa, delator da "Lava Jato", não foi realizado por nenhum investigador. A suposta lista de indicados pelo dono da UTC foi publicada pela revista Veja. "Um vazamento dessa pretensa colaboração do senhor Ricardo Pessoa, que foi ter a uma revista, também esta com inquérito instaurado. E esse vazamento para essa revista não foi de nenhum investigador", disse Janot.

Ele afirmou que os vazamentos contêm expressões de um anexo prévio ao acordo de colaboração, realizado por advogados do delator e entregues ao Ministério Público Federal para negociação. Sem apontar responsáveis, Janot afirmou que o vazamento não foi causado por investigadores pois os "anexos" foram triturados e a última versão ficou guardada em um cofre. O vazamento está sob investigação, segundo ele.

Janot afirmou que os vazamentos são prejudiciais para as pessoas indicadas. Ele elogiou a regulamentação da delação premiada, afirmando que a legislação representa um "avanço sem tamanho".

Painel

Mesmo com a continuidade da sabatina de Janot, a CCJ do Senado abriu o painel de votação para que os senadores se manifestem se são a favor ou contra a recondução ao cargo do chefe do Ministério Público Federal. Parlamentares investigados por Janot na Lava Jato apareceram para registrar o voto.