A presidente Dilma Rousseff disse nesta quarta-feira (10), durante a entrega do 20º Prêmio Direitos Humanos, que o relatório final da Comissão Nacional da Verdade será importante para garantir direitos aos brasileiros. Ela chamou de "momento marcante da democracia brasileira" a conclusão do documento que lista 377 torturadores do Estado durante a Ditadura Militar (1964-85).

"Por 2 anos e 7 meses esse grupo de homens e mulheres produziu o relatório que hoje entregaram. Trata-se de um passo fundamental para garantir os diretos dos brasileiros, que é conhecer a história sem restrição para que a gente possa construir a sociedade melhor", disse.

O coordenador da Comissão Estadual da Verdade Rubens Paiva de São Paulo, Ivan Teixeira, recebeu uma menção honrosa do prêmio ressaltando a importância do relatório da comissão nacional. "Nós sabemos a importância que é receber esse relatório", disse Seixas, que ficou preso nos órgãos de repressão por seis anos, teve o pai morto pela tortura e a irmã estuprada. "Do lado de cá, estão os que defendem a vida. Do lado de lá, os que defendem a violência", disse, em referência aos críticos do relatório.

Dilma entregou 23 troféus aos premiados em diversas categorias do prêmio organizado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, destacando as ações do cotidiano dos premiados em combater também as violações ao direito à vida. "Me orgulha muito estar aqui participando deste ato, uma vez que as pessoas aqui presentes contribuem para o enfrentamento às violações dos direitos humanos", disse. "Todas as cidadãs e todos os cidadãos cujas vidas são melhoradas pelo trabalho de vocês estão também agradecendo", afirmou.

A presidente disse que o País ainda precisa melhorar na superação das violações, especialmente no atendimento aos mais pobre. "Toda a população tem de ser beneficiada com serviços de qualidade, mas sabemos que temos de dar especial atenção àqueles que estão excluídos", afirmou.

Ela listou programas do governo que foram criados com a finalidade de atender essa parcela da população, como o Mais Médicos, o Minha Casa, Minha Vida e a Casa da Mulher Brasileira, que atende vítimas de violência doméstica. "A violência contra mulher é necessariamente um fator que deve ser superado para termos uma sociedade democrática", considerou.