Apesar de a compra e a distribuição de vacinas terem se tornado motivo de acirradas disputas políticas neste ano, com vistas à eleição presidencial, para governadores e parlamentares estaduais e federais em 2022, alguns especialistas apostam que o cenário atual terá pouco efeito nos resultados das urnas.

É o caso do cientista político e professor da UFMG Felipe Nunes. “A politização da pandemia e agora das vacinas existe e é lamentável que seja assim, já que, numa democracia moderna, o mínimo que se poderia esperar era que problemas como esses fossem tratados de maneira técnica, e não colocando a vida das pessoas em jogo, como tem acontecido”, afirma Nunes.

“Mas, por outro lado, penso que a eleição presidencial do ano que vem e está longe, e provavelmente haverá descolamento do que houve neste 2021 do cenário que teremos em 2022”, completa.

Para o cientista, a probabilidade maior é de que, no próximo ano, a pandemia esteja bem mais controlada, graças, justamente, à vacinação, e o que deve pesar, de fato, é a situação econômica do país no que pode ser considerado um contexto de “pós-pandemia”.

“O sentimento econômico da população vai ser mais forte para determinar a escolha do voto do que a percepção sobre como foi a condução da pandemia, por esse ou aquele candidato, em um momento anterior”, avalia.

Já para o também cientista político Adriano Cerqueira, é bem possível que a condução do enfrentamento da pandemia, por Zema e Kalil, na disputa pelo governo mineiro, sejam lembrados nas campanhas do próximo pleito. Ambos, contudo, devem ter dificuldades em convencer as pessoas de que o oponente agiu mal. “Zema, por exemplo, mesmo alinhado ao presidente, se destaca na luta contra a pandemia e dificilmente Kalil conseguirá acusá-lo de omisso”, diz.

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