O Partido Social Liberal (PSL), pelo qual o deputado Jair Bolsonaro se candidata à presidência da República, divulgou, neste domingo (14), uma nota na qual declara neutralidade no segundo turno para o governo de Minas Gerais, que está sendo disputado por Antônio Anastasia (PSDB) e Romeu Zema (Novo).

Assinada pelo presidente estadual do PSL em Minas, Marcelo Álvaro Antônio, a nota justifica a decisão afirmando que os esforços serão concentrados em levar Bolsonaro à vitória no segundo turno. "Solicitamos, portanto, a todos os membros e voluntários, que redobrem os esforços nas ruas e nas redes sociais para garantirmos uma grande votação para o nosso Presidente Bolsonaro em nosso estado."

Procurada pela reportagem, a assessoria de Anastasia não se manifestou sobre o assunto e afirmou que vai permanecer sem se posicionar. Já Romeu Zema afirmou que, independentemente dos posicionamentos partidários em nível federal e estadual, vai votar no candidato do PSL. "Eu não concordo totalmente com as ideias do candidato Bolsonaro, mas no campo econômico há convergências entre nossas propostas. Por outro lado, eu não concordo de jeito nenhum com as ideologias de esquerda (...) Como governador, vou precisar de um presidente  que jogue do nosso lado em Minas, ao contrário do que aconteceu com o meu concorrente que, quando era governador, não tinha diálogo com o governo federal."

Neutralidade nacional

O candidato à presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro, já havia sugerido neutralidade em estados onde o partido não tivesse candidatos no segundo turno durante uma reunião com membros da legenda na última quinta-feira (11). O PSL tem candidatos na disputa pelo executivo estadual em Roraima, Rondônia e Santa Catarina. Bolsonaro reiterou que é necessário o foco no número 17, que representa ele e o partido nas urnas. 

Bala trocada

No início desta semana os partidos dos dois postulantes ao Palácio da Liberdade também se declararam neutros na disputa presidencial. O Novo, que disputou o primeiro turno com o candidato João Amoedo, não indicou um candidato que apoia, mas reiterou, em nota, que são "absolutamente contrários ao PT, que tem ideias e práticas opostas às nossas".

A dirigência nacional do PSDB também declarou neutralidade e liberou os integrantes do partido para apoiar qualquer um dos candidatos à presidência. Em Minas, Anastasia não se manifestou exatamente contra o candidato Fernando Haddad (PT), mas dispensou apoio de partidários no pleito estadual, se referindo aos apoiadores de Fernando Pimentel (PT), que foi o terceiro colocado no primeiro turno e teria tido apoio considerado pelo candidato do Novo. “Custamos tanto a derrotar o PT, não elegemos a Dilma ao Senado, acabamos com o desgoverno do Pimentel em Minas Gerais e agora o senhor Zema vem dizer que quer o Pimentel de volta?”.