No dia que recebeu o pedido de impeachment de Dilma Rousseff, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que as chamadas pedaladas fiscais, manobras que o governo fez contra a legislação para fechar suas contas, já estão virando uma "motocicleta". "Pedaladas estão virando motocicleta. Saiu da bicicleta e foi para a motocicleta".

Em entrevista na tarde desta quarta-feira (21), o peemedebista criticou a política econômica de Dilma, afirmou que "o governo deveria ter zerado as suas contas no ano passado e com as chamadas pedaladas não o fez".

"Não tem condição de viver com a conta mascarada. O governo tem que aprender a fazer superavit real", afirmou antes de ser interrompido por vaias e gritos de "fora Cunha" em manifestação da qual foi alvo esta tarde no salão verde da Câmara dos Deputados.
 
Questionado se acredita na aprovação da CPMF ou na saída de Dilma da Presidência até o Natal, Cunha disse não ser possível responder sobre a presidente, mas afirmou que não há possibilidade de votação do imposto, mais uma vez em tom de ataque ao governo.
 
"Posso dizer que Natal com CPMF não vai ter, porque não há tempo hábil nem se o governo tivesse voto."

Para ele, o cenário econômico está "cada dia mais grave". "A inflação está mais elevada, a dívida está aumentando e o volume de pedaladas é alto."