A Câmara Municipal de BH tem um “pianista” nas reuniões no plenário. O vereador Pablo César, o Pablito (PSDB) marcou presença em três das quatro reuniões ordinárias do mês, mas ali não foi visto.

O Hoje em Dia acompanhou todas as sessões e o vereador não estava no plenário ou nos corredores da Câmara.

No gabinete dele, uma funcionária confirmou que o parlamentar estava viajando nos últimos dias, mas que já teria chegado a BH.

Apesar disso, de acordo com a ata oficial das reuniões ordinárias obtida pela reportagem, ele marcou presença nos três primeiros encontros. Até agora, foram quatro sessões. Somente terça-feira (7), quando estava inscrito para participar da sessão de oradores, ele se ausentou.

EUA

Nos bastidores, a informação é que ele estaria nos Estados Unidos. Parte dos vereadores confirma. “Todo mundo sabe que ele está fora do Brasil. Falaram até que está em Las Vegas”, disse um vereador que pediu para não ser identificado.

Outro parlamentar fez piada com a situação. “Pablito? Quem é esse? Tem um tempo que não o vejo”, ironizou. Na direção da Câmara, o tucano não informou nenhuma viagem oficial, conforme determina o regimento interno da Casa.

Apesar do nome constar nas listas oficiais, o voto de Pablito não foi usado para nenhuma votação em plenário. Isso porque os projetos analisados até agora neste mês tiveram a votação simbólica, quando não é necessário registrar nominalmente. Somente os presentes na sessão se manifestam.

O vereador foi procurado, mas parece estar incomunicável. Coincidências à parte, o telefone estava fora da área de cobertura.

Impasse

Na tarde de terça-feira (7), o chefe de gabinete de Pablito esteve com o presidente da Câmara, vereador Léo Burguês (PSDB) para tratar do assunto.

Procurado, Léo Burguês confirmou que irá conversar com o vereador e abrir uma investigação para avaliar o assunto. “É uma denúncia grave e queremos verificar a veracidade dos fatos”, afirmou.

Além disso, a intenção é descobrir quem foi o responsável por marcar a presença de Pablito. Caso a suspeita seja confirmada, poderá ser aberta uma comissão processante na Câmara. Se condenados, os envolvidos poderão ser punidos com advertências, cortes no salário ou até mesmo cassação.