O presidente nacional do PTB, o ex-deputado Roberto Jefferson, tem um tipo de câncer de pâncreas raro, que corresponde a menos de 2% dos casos diagnosticados da doença, mas de mais fácil tratamento. A previsão é de que ele deixe o Hospital Samaritano no domingo (29) e comece a fazer quimioterapia em quatro a seis semanas. Jefferson não está impedido pelos médicos de ir a Brasília, se necessário.

Pivô do escândalo do mensalão, que denunciou em junho de 2005, ele tem acompanhado o noticiário sobre o julgamento a partir de relatos dos seus assessores. Nesta quinta-feira (2), passou a maior parte da tarde dormindo e não assistiu à transmissão da sessão do Superior Tribunal Federal.

Foi o cirurgião José de Ribamar Saboia de Azevedo quem mostrou as primeiras reportagens sobre o julgamento para Jefferson, na terça-feira (31), apesar de a família preferir preservá-lo. Roberto Jefferson riu, contou o médico. "É importante a pessoa se reintegrar à sociedade. Ele é um homem destacado nesse delicado momento da política do Brasil para ficar afastado das informações".

O ex-deputado tem o câncer chamado de carcinoma coloide, que se desenvolveu dentro do ducto do pâncreas. O tumor atingiu 4,9 centímetros. Dentro dele, o patologista Vilhermo Torres diagnosticou um foco de câncer maligno de 1,4 centímetros.

"É um tumor maligno dentro de uma lesão benigna, com uma configuração mais amigável, o que configura um prognóstico melhor", afirmou o oncologista Daniel Tabak. Não há na literatura médica estudos sobre o tratamento ideal para esse tipo de câncer, que tem cura em mais de 60% dos casos. Tabak e a equipe optaram por oferecer a mesma quimioterapia indicada para os pacientes que têm adenocarcinomas - câncer de pâncreas mais agressivo, em que menos de 20% dos pacientes estão vivos ao fim de dois anos.

Jefferson receberá o quimioterápico gencitabina semanalmente por seis meses. Ele não precisará ficar internado. O medicamento é menos tóxico e não produz os efeitos mais conhecidos da quimioterapia, como a perda de cabelo e a baixa imunidade.

O ex-deputado se recupera bem da operação, em que os médicos precisaram desfazer a cirurgia bariátrica a que foi submetido em 2000. Ele teve o estômago reconstituído. Depois, foi retirada parte do estômago, pâncreas, duodeno e canal biliar. Jefferson está sem soro, sem medicação intravenosa e se alimenta normalmente. Ele caminha pelo corredor e disse aos médicos ter feito alongamento.

Embora Roberto Jefferson esteja internado desde quinta-feira da semana passada no Samaritano, o blog e o twitter do ex-deputado continuam em plena atividade. Nesta quinta, o julgamento do mensalão foi um dos comentários. "Será um mês longo, de exaltação ou velório da democracia. Mês para mostrar que o STF tem liberdade, independência e principalmente coragem", dizia uma das publicações do twitter. Jefferson não tem orientado a equipe responsável pelo blog mas, segundo sua assessoria, os profissionais trabalham há muitos anos com o presidente do PTB e por isso já têm autonomia para atualizarem o blog. Dois dias antes do início do julgamento, o presidente do PT, Rui Falcão, foi o alvo do blog e do twitter de Jefferson. "Rui Falcão, presidente do PT, pediu solidariedade aos petistas e falou que não é o partido que está sendo julgado. Às vésperas do julgamento, o PT parece estar se preparando não só para as eleições, mas também para jogar companheiros ao mar... mais uma vez", escreveram.

No processo do mensalão, Jefferson é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, por ter recebido, em 2004, R$ 4 milhões do PT. O ex-deputado se diz inocente e argumenta que acreditava que os recursos tinham origem lícita. Afirma ainda que o dinheiro é fruto de um acordo com o comando do PT e se destinava às campanhas do PTB nas eleições municipais daquele ano. A assessoria do ex-deputado informou, na tarde de quinta, que ele não estava acompanhando a transmissão do julgamento na TV nem na internet e que dormiu a maior parte da tarde.