A pregação da presidente Dilma Rousseff de que integrantes da oposição arquitetam um "golpe" contra o governo foi considerada por integrantes do Palácio do Planalto uma "vacina" eficaz. O próximo passo consiste em setores do PT repetirem a pecha toda vez que surgir o tema sobre possíveis irregularidades nas contas do governo de 2014 e nas prestações de contas da campanha eleitoral, previstas para serem julgadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e Tribunal Superior Eleitoral (TSE), respectivamente.

O entendimento, segundo pessoas próximas à presidente, é que o discurso de "golpismo" adotado na última semana conseguiu "constranger" os opositores e deu ferramentas para lideranças do PT saírem em defesa do governo. Dentro da estratégia de comunicação das próximas semanas está a realização de novas rodadas de entrevistas, mas em programas de TV considerados populares. Neles, além de serem rebatidas as acusações, serão mostradas algumas das conquistas do governo.

A primeira demonstração de reação de Dilma ocorreu na segunda-feira, um dia após a convenção do PSDB, em que o presidente da legenda, senador Aécio Neves (MG), pregou a realização de novas eleições. A petista disse que defenderia o mandato com "unhas e dentes". Três dias depois, ao participar da 7ª Cúpula do Brics na Rússia, Dilma acusou Aécio de "prejulgamento", dado que nem TCU nem TSE concluíram seus processos.

Embora integrantes do Planalto comemorem as últimas reações de Dilma, representantes da cúpula do PT consideram que a comunicação do governo tem falhado e que ainda falta ânimo por parte de representantes da legenda no governo. Lideranças do partido avaliam, por exemplo, que pautas positivas como o anúncio do Programa de Proteção ao Emprego (PPE), divulgado no Planalto, deveriam ocorrer por meio de anúncio em cadeia nacional de rádio e TV.

Entre as medidas defendidas por integrantes da cúpula do PT para melhorar a comunicação e criar uma agenda positiva também está a realização de viagens de ministros do partido pelo País, para mostrar as realizações do governo e incentivar a militância a participar dos debates. Tem chamado a atenção dos petistas as viagens feitas por ministros de outras legendas, como o das Cidades, Gilberto Kassab (PSD), e o dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues (PR). No entendimento de petistas, eles têm aproveitado melhor o giro pelas cidades para também agir de forma partidária.

Além de uma atuação dos ministros do PT, há a avaliação de que é necessário que lideranças da sigla no Congresso participem de eventos, debates e ações partidárias no interior do País. O entendimento é que essas ações poderão gerar notícias positivas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.