O município de Manga é um dos mais pobres de Minas – está em 759º lugar no ranking de 853 cidades – já teve quatro prefeitos cassados e vive um novo enredo de corrupção. Situado no Norte de Minas, o município tem mais um prefeito questionado na Justiça. Recém-eleito, o irmão do deputado estadual Paulo Guedes (PT), Anastácio Guedes (PT), segundo o Ministério Público Estadual (MP), tomou posse colocando na administração parentes, funcionários fantasmas e até ficha-suja. A rapidez do prefeito surpreendeu até as autoridades. O MP entrou com cinco ações civis públicas contra Anastácio.
 
O prefeito teria cancelado concurso público, realizado a pedido do MP para a substituição de nomeados em cargos de comissão. O certame havia sido elaborado pela Unimontes. Com isso, colocou no lugar dos aprovados vários aliados políticos. E deu a alguns deles gratificações que chegam a quase 70% do salário. Apenas ligados ao gabinete do prefeito são 341 funcionários que causam um rombo aos cofres públicos de R$ 410 mil por mês, aponta o órgão. 
 
“Tem-se, portanto, que a horda de servidores públicos contratados diretamente pelo Município de Manga, representa nada menos do que 53,97 % do quadro dos servidores estáveis do município. É dizer que, proporcionalmente, há mais servidores contratados irregularmente, à margem do concurso público, do que servidores estáveis, aprovados previamente em concurso público”, diz trecho de uma das ações do MP.
 
Ficha Suja
 
Entre os nomeados, segundo a Promotoria, estão parentes e pessoas que não residem no município. Uma das ações questiona a nomeação da secretária de Administração, Edineida Mendes Batista. Ela é funcionária pública estadual tendo sido afastada das funções e obrigada a pagar multa, pela Controladoria do Estado. Edineida atuou junto à Secretaria Estadual de Educação, período em que foi acusada pelo próprio Estado de várias irregularidades com dinheiro público.
 
Prefeito Anastácio não é encontrado
 
O prefeito de Manga, Anastácio Guedes (PT), não foi encontrado na Prefeitura de Manga ontem para comentar as ações civis públicas impetradas contra ele e servidores da administração pelo Ministério Público Estadual. O irmão dele, o deputado estadual Paulo Guedes (PT), também foi procurado para falar sobre as ações do parente, mas seu telefone celular estava desligado e ninguém atendeu o fixo no gabinete na Assembleia. Ontem, foi comemorado o Dia do Servidor Público.