A eleição pela presidência da Câmara ameaça abrir um "racha" na base aliada da presidente Dilma Rousseff. E em meio a este cenário, os dois principais candidatos usam a mesma tática: prometem abrir mão de espaços aos quais têm direito na Mesa Diretora e nas comissões temáticas para tentar seduzir partidos indecisos.

Tanto o líder do PMDB Eduardo Cunha (RJ), considerado favorito, quanto o atual vice-presidente Arlindo Chinaglia (SP) indicaram que suas legendas vão abrir mão das vagas na estrutura de comando da Casa.

"Focado na eleição do Eduardo, o PMDB, diferente do PT, não tem projeto hegemônico único. Vamos abrir mão de espaço para que todos que participem desse projeto sejam beneficiados", afirmou ao Broadcast Político, o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), um dos mais próximos aliados do líder do PMDB.

O discurso do grupo que apoia Chinaglia segue a mesma direção. "O PT vai abrir mão de parte dos seus espaços. Vai fazer esse esforço, esse sacrifício", disse o líder do governo na Casa, deputado Henrique Fontana (PT-RS).

Além da presidência, há uma dezena de postos na direção da Câmara - além de 22 comissões temáticas - que entram nas negociações para a formação dos blocos parlamentares de apoio aos candidatos. Na Mesa Diretora, o PMDB ocupa hoje a presidência e o PT tem duas cadeiras: a 1ª vice e a 4ª secretaria.

Os blocos, que determinam a distribuição dos cargos com base na proporcionalidade das bancadas, precisam ser registrados até o início da tarde deste domingo, 1º, dia da eleição. Para oficializar a adesão, são necessárias as assinaturas da maioria dos deputados de cada sigla. Isso não significa que todos os representantes da legenda seguirão a orientação partidária na escolha do presidente, uma vez que o voto é secreto.

Até agora, Cunha conta oficialmente com o apoio do PMDB, PTB, DEM, SD, PSC, PHS e PRB - este, no entanto, está sob forte pressão do Planalto e ameaça rever sua posição. Chinaglia, por sua vez, tem consigo o PT, PSD, PDT, PROS, PCdoB e o PEN.

Com 91 deputados eleitos, PP, PR e PRB, todos da base do governo, são cortejados a peso de ouro pelos dois candidatos. Se os partidos conseguirem que seus parlamentares atuem de forma unificada, o postulante que receber o apoio das três bancadas terá condições de excluir o oponente dos principais postos da Câmara.

Até agora o maior do bloco peemedebista é o PTB, com 25 deputados. Sem lugar na Mesa Diretora, os petebistas esperam um "upgrade" nesta legislatura e querem manter a ouvidoria da Casa. Nas comissões, negociam a comissão de Seguridade Social e Família ou a de Educação.

O peemedebista também assedia o PP, quinta bancada na Casa que, se aderir, causará um rearranjo no bloco. Para embarcar, o PP pressiona o PMDB a ceder sua primeira escolha nas comissões - no caso, a Comissão de Constituição e Justiça ou a de Finanças e Tributação.

Do lado de Chinaglia, o aliado de maior expressão é o PSD do ministro das Cidades, Gilberto Kassab. Caso Chinaglia forme o maior bloco, o PSD deve pedir a primeira vice-presidência ou a primeira secretaria, esta responsável, entre outras atribuições, por encaminhar requerimentos e convocações a ministros. A bancada do PSD está de olho nas comissões de Finanças e Tributações, de Minas e Energia ou de Agricultura.