A liderança do PSDB na Câmara mudou de opinião e passou a defender que haja recesso parlamentar do final do ano. Segundo o líder do partido na Casa, deputado Carlos Sampaio (SP), a mudança se deu após percepção de que, ao defender o cancelamento do recesso, o governo está querendo desmobilizar os movimentos de ruas e, assim, diminuir a pressão popular sobre os deputados para o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. "Se for uma estratégia do governo para inviabilizar o impeachment, somos contra", comentou.

O novo posicionamento do líder do PSDB na Câmara vai ao encontro do que disse o presidente nacional da legenda, senador Aécio Neves (MG). Em entrevista mais cedo, o tucano mineiro defendeu que o recesso deve acontecer, para que, nesse período, os parlamentares possam sofrer pressão de suas bases eleitorais, para votarem a favor do afastamento de Dilma. Mais cedo, Carlos Sampaio tinha defendido que o recesso fosse suspenso, para que os trabalhos da comissão especial que vai analisar o processo de impeachment na Câmara pudessem avançar.

Em reunião com líderes da base aliada, o ministro-chefe da Secretaria de Governo defendeu a celeridade da análise do processo de afastamento de Dilma na Câmara para evitar que o governo fique sangrando. Na mesma linha, o líder do PT na Casa, Sibá Machado (AC), afirmou que a bancada do partido vai apoiar que o recesso parlamentar não ocorra. O objetivo é tentar resolver com agilidade a situação de Dilma. Para que o recesso seja suspenso, é necessário que haja uma votação em plenário.