Com repasses de recursos federais e estaduais reduzidos, as prefeituras mineiras vão tentar um acordo junto à União para resolver o problema da dívida de centenas de municípios do Estado com a Previdência. Em alguns casos, a falta do pagamento referente ao INSS tem levado, inclusive, ao bloqueio de valores encaminhados via Fundo de Participação dos Municípios (FPM), o que tem agravado ainda mais a crise em algumas cidades. A saída seria viabilizar o financiamento da dívida, o que daria um alívio para o caixa das prefeituras.

 

“Todos os municípios devem, uns mais outros menos. O que estamos querendo é tentar junto ao governo federal uma medida, que fosse implementada até o final do ano, de forma que o governo conseguisse que nos pudéssemos não recolher os impostos do INSS juntamente com a dívida e fazer uma repactuação para 20 anos”, afirmou o presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM) e prefeito de Pará de Minas, Antônio Júlio (PMDB). Aqueles que devem mais acabam tendo parte ou todo o repasse do FPM retido para quitar a dívida. Outros, temendo a retenção dos valores, optam por medidas que, de uma forma ou de outra, impactam negativamente nas finanças do município. 

 

“Desta forma, você é obrigado a pagar, às vezes fazendo um grande sacrifício na folha de pagamento. Infelizmente, não há outra saída”, alega o prefeito.
A demanda, que é tratada no 33º Congresso Mineiro de Municípios realizado em Belo Horizonte, será formalmente encaminhada para o governo federal na próxima semana, durante a Marcha dos Municípios.

 

“Se a gente conseguir isso, ajudaria muito no acerto final de prestação de contas. Esse caos que estamos vivendo é culpa do governo, que desonerou um monte de atividades e tirou recursos do município. O que nós estamos querendo é uma reposição desse dinheiro que nos foi tirado. E nós não queremos de graça não, queremos é um prazo para pagar”, disse o presidente da AMM.

 

Ao todo, mais de 300 prefeitos mineiros participam do Congresso, que acontece no Expominas. O evento, cuja abertura ocorreu na última terça-feira, termina nesta quinta-feira. Estão previstas palestras e conferências com gestores públicos e integrantes do Judiciário e do Ministério Público. 
O foco dos debates é a crise financeira dos municípios e as formas mais eficientes de resolver a situação. 

 

PavilhãoO 33º Congresso Mineiro de Municípios termina hoje no Expominas

Campanhas
Com a redução dos prazos e recursos para a realização de campanhas para as próximas eleições municipais, candidatos ao cargo de prefeito e vereador vão precisar suar a camisa para conseguir convencer os eleitores. A avaliação foi feita pelo mestre em Gerenciamentos Políticos e sócio-diretor da Pap Digital, Bernardo Villela, durante o 33º Congresso Mineiro de Municípios.

 

De acordo com Villela, o contexto atual vai exigir dos candidatos uma postura proativa, com presença constante nas ruas. No entanto, ele explica que velhas práticas precisarão ser abolidas para que o dinheiro investido nas campanhas seja utilizado com eficiência. 

 

É necessária uma mudança de conceitos. A poluição visual e sonora não funcionam mais. Colocar bandeiras e placas espalhadas por toda cidade pode custar caro e não trazer votos”, argumentou. Para alcançar resultados positivos, explica Vilella, todos os candidatos terão que planejar estrategicamente as campanhas. Dentre os pontos principais, ele afirma que é necessário focar na performance de cada agente atuante na campanha, de forma que as demandas do eleitor sejam realmente entendidas.