FORTALEZA - Em mais um capítulo das suspeitas de irregularidades envolvendo o hospital de Sobral, no interior do Ceará, o Ministério Público Federal decidiu investigar o secretário de Saúde, Ciro Gomes (Pros), pela prática de improbidade administrativa e prevaricação ao "cercear" e "desqualificar" as investigações da Procuradoria e do Ministério da Saúde. 
 
Na sexta-feira (11), a Folha de S.Paulo revelou que uma auditoria do Ministério da Saúde, solicitada pelo Ministério Público Federal, apontou o sumiço de equipamentos no valor de R$ 819 mil, comprados com recursos federais. Depois disso, Ciro Gomes convocou representantes do ministério e da imprensa para uma visita ao hospital no sábado (12), durante a qual mostrou o interior do estabelecimento e a presença de equipamentos. 
 
Após a visita, o secretário de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde, Odorico Monteiro, reafirmou que os equipamentos não haviam sido encontrados na auditoria feita em maio, mas que agora estavam no hospital e que seria feito um novo relatório. 
 
O Hospital Regional Norte, nome oficial, ficou conhecido por ter sido inaugurado em janeiro com um show de Ivete Sangalo, pelo qual o governador Cid Gomes (Pros) pagou R$ 650 mil. Menos de um mês após a inauguração, uma estrutura da fachada desabou e feriu uma pessoa. 
 
Nesta segunda-feira (14), o procurador Oscar Costa Filho deu entrevista à imprensa na qual anunciou que vai investigar a conduta de Ciro Gomes. "Não é um ato político realizado em um sábado que vai cercear as investigações em curso. As apurações continuam, serão feitas novas auditorias no bojo do devido processo legal e, aí sim, poderemos tirar conclusões sobre o caso", disse. 
 
Para o Ministério Público Federal, Ciro Gomes "organizou uma vistoria informal, na tentativa de arquivar as apurações sobre o caso, desqualificando as investigações". 
 
O procurador defendeu a auditoria, dizendo que ela foi conclusiva e assegurou direito de defesa à Secretaria de Saúde antes de constatar o sumiço dos equipamentos. Agora, ele também solicitou à Polícia Federal que investigue o caso. Na visita ao hospital, Ciro chegou a chamar o procurador de "canalha" e afirmou que o governo do Estado o processaria.