Investigadores que estão à frente da prisão do ex-presidente Michel Temer (MDB) afirmaram que o político recebeu propina no fim de 2014. O valor, conforme a polícia, ultrapassa R$ 1 milhão. A quantia teria sido paga pela empreiteira Engevix por meio de uma empresa controlada pelo coronel João Baptista Lima Filho, amigo pessoal de Temer. A afirmação consta no pedido de prisão autorizado pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal.

Para justificar a prisão, o Ministério Público Federal (MPF) afirmou que os fatos "apontam para a existência de uma organização criminosa em plena operação, envolvida em atos concretos de clara gravidade".

A operação "Radioatividade", deflagrada nesta quinta-feira (21) e que desencadeou a prisão de Temer, identificou um grupo criminoso que atuou na construção da usina nuclear de Angra 3, praticando crimes de cartel, corrupção ativa e passiva, lavagem de capitais e fraudes à licitação. De acordo com o MPF, são apurados crimes de corrupção, peculato e lavagem de dinheiro, em razão de possíveis pagamentos ilícitos.

Defesas

O advogado Eduardo Carnelós, que defende Michel Temer, afirmou que a prisão do ex-presidente "é uma barbaridade". O MDB, por meio de nota, informou que "lamenta a postura açodada da Justiça à revelia do andamento de um inquérito em que foi demonstrado que não há irregularidade por parte do ex-presidente da República, Michel Temer e do ex-ministro Moreira Franco. O MDB espera que a Justiça restabeleça as liberdades individuais, a presunção de inocência, o direito ao contraditório e o direito de defesa".

*Com Estadão Conteúdo

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