A onda de protestos iniciada em junho e que derrubou a popularidade da presidente da República, de governadores, prefeitos e parlamentares, está perdendo apoio dos brasileiros. A pouca adesão às manifestações de 7 de Setembro deixa isso bem evidente. Do mesmo modo, a pesquisa realizada pelo instituto MDA e divulgada na terça-feira.

É a terceira vez que o MDA faz pesquisa encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), entidade presidida pelo senador mineiro Clésio Andrade, do PMDB. A primeira feita depois da onda de protestos mostrou que a aprovação do governo Dilma Rousseff havia caído de 54,2% em junho, para 31,3% em julho. Mas voltou a subir para 38,1% em setembro. Não só isso: a aprovação pessoal da presidente, que estava em 73,7% antes dos protestos e caíra para 49,3% em julho, está agora em 58%.

Essa recuperação do prestígio da presidente da República ocorreu apesar de a maioria das 2 mil pessoas ouvidas neste mês pelo MDA, em 135 municípios de 21 estados, ter declarado que as manifestações não ajudaram a melhorar suas vidas. Só 42,6% disseram que houve melhoras no país após os protestos.

Seria bom para o Brasil se não fosse assim, pois há necessidade de muitas mudanças na condução da União, estados e municípios. Sem a pressão das ruas, a tendência é a de os políticos se acomodarem.
Ocorre que os que estão organizando essas manifestações têm errado, ao não impedir ou até incentivar a destruição de bens públicos e privados, como forma de chamar atenção para as suas reivindicações.

No dia 7 de Setembro, até a Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, esteve na mira desses agressores, só não sofrendo graves depredações por causa da forte presença da Polícia Militar e do número, menor do que o previsto, dos que lá estiveram para protestar.

Além dos prejuízos aos cofres públicos ou privados, os protestos perdem força, por exemplo, quando impedem o direito de as pessoas transitarem livremente pela cidade. Ou quando o lixo das caçambas públicas é espalhado pelas ruas, demonstrando menosprezo aos garis que, inevitavelmente, terão depois que trabalhar mais para limpar a cidade.

São ações antissociais que acabam sendo percebidas como tais até por quem antes apoiava as manifestações. Aos que as cometem, ainda há tempo para entenderem que as agressões não estão produzindo os efeitos por eles esperados. Elas certamente não servem à democracia e muito menos aos direitos humanos.