O secretário de Estado da Fazenda de Minas, Gustavo Barbosa, disse nesta quarta-feira (22), em entrevista exclusiva ao Hoje em Dia, ter formalizado diretamente ao ministro da Economia, Paulo Guedes, por meio de videoconferência, pedido do governo Zema para que a União prorrogue o prazo máximo de 31 de julho para aprovação de novas alíquotas da reforma da previdência estadual. 

A tramitação da matéria, que vinha se dando desde junho em meio a intensa polêmica entre parlamentares, sindicalistas e servidores mineiros, está, no momento, parada na Assembleia Legislativa - o órgão está em recesso desde segunda-feira, devido à crise da Covid-19. As votações só devem ser retomadas no início de agosto. 

A princípio, Minas estaria obrigada a respeitar a data limite estabelecida pelo governo Bolsonaro para definir, ao menos, as novas parcelas de contribuições previdenciárias dos servidores mineiros. Caso contrário, o Estado poderia ter suspensos os repasses de verbas da União.

"Já tínhamos conversado com os técnicos do Ministério da Economia, da área da previdência, para solicitar a dilatação do prazo. Na terça-feira (21), conseguimos uma agenda com o ministro", disse Barbosa. "Falei com ele, pessoalmente, e ele disse que esta avaliando e que nos dará retorno em breve", completou.

Barbosa reiterou a posição do Executivo mineiro de que a reforma da Previdência do Estado - um dos poucos que ainda não fizeram tal modificação - é fundamental para evitar um colapso das contas públicas. "Os impactos falam por si. Não só o déficit previdenciário dos últimos oito anos, que supera R$ 130 bilhões, mas o buraco daqui para a frente. Com a reforma, poderemos gerar uma melhora de mais de R$ 30 bilhões no sistema", disse.

Política e ataques

Embora Barbosa tenha elogiado a condução "sensível e equilibrada" que a Assembleia tem dado às discussões sobre as mudanças no sistema previdenciário - inclusive, com a  realização de um amplo seminário para debater o tema, na semana passada -, o aspecto político, no momento, é desfavorável ao governo estadual.

Na segunda-feira, acompanhado dos secretários de Governo, Igor Eto, e de Planejamento, Otto Levy, o governador Romeu Zema fez live sobre o assunto, no Facebook, e não poupou críticas aos opositores à reforma, sobretudo o PT, partido do ex-governador Fernando Pimentel - outro que não escapou dos ataques -, e sindicalistas ligados aos servidores.  Com isso, Zema acirrou ainda mais os ânimos em torno da questão.

"Tem muitos sindicalistas querendo só visibilidade, querendo só polêmica, e só falam: 'Você está sendo prejudicado'.  Mentira!", disse. "No último governo, quando o funcionário público estava sendo prejudicado, esses sindicalistas não levantaram a mão, não. Porque eles podiam dar emprego para um punhado de gente da turminha deles", destacou, subindo ainda mais o tom:

"Então, escute com reservas quando a crítica partir desse tipo de público. Porque enquanto o Estado estava saqueando as prefeituras, mandando o nome de 240 mil funcionários públicos para o SPC, esse pessoal ficou calado. Não falou nada. O funcionalismo público sem acesso a hospital, e esse pessoal caladinho, porque o último governo dava um punhado de privilégios para eles. Agora, eu quero fazer o certo, e eles estão contra. Por quê? Porque aqui não em privilegio mais", ressaltou  o governador.