Temendo uma derrota que resulte em gastos bilionários aos combalidos cofres federais, governistas começaram nesta segunda-feira (21) a se movimentar para evitar a realização, nesta terça (22), da sessão que analisará vetos da presidente Dilma Rousseff. 
 
O próprio presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) -responsável pelas maiores derrotas legislativas de Dilma em 2015-, afirmou que o melhor é adiar essa sessão para evitar que se "acenda um fósforo em um tanque de gasolina". 
 
Entre os vetos que podem ser derrubados está o do reajuste médio de 59,5%, nos próximos quatro anos, aos servidores do Judiciário. O impacto calculado pelo governo é de R$ 25,7 bilhões até 2018, praticamente o mesmo valor de corte proposto agora por Dilma para equilibrar as contas públicas. 
 
"Acho que concretamente não deve se derrubar esse veto, seria uma atitude de colocar mais gasolina na fogueira, acender fósforo em um tanque de gasolina. O ideal é a que a gente nem votasse isso amanhã", disse Cunha, embora avalie que há uma tendência até na oposição de não apoiar a derrubada do veto. 
 
"O debate vai se colocando para todo mundo. Não tem sentido a gente recriminar e não concordar com a criação de imposto e ajudar a criar despesa", afirmou. A Folha de S.Paulo mostrou no domingo (20) que, sob o comando de Cunha e Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, o Congresso aprovou projetos que, se entrarem em vigor, representam gasto extra anual de R$ 22 bilhões aos cofres públicos. 
 
A sessão de vetos está marcada para as 19h desta terça. Pelo cenário discutido entre governistas, Renan poderia esticar a sessão do Senado para além desse horário. Como não é permitido o funcionamento da sessão do Congresso (que reúne Câmara e Senado) concomitantemente à do Senado, a primeira se inviabilizaria. 
 
Para que um veto presidencial seja derrubado é preciso o voto de pelo menos 257 dos 513 deputados e 41 dos 81 senadores.