Siderúrgica Gerdau é principal alvo da 6ª fase da Zelotes

Hoje em Dia*
25/02/2016 às 07:44.
Atualizado em 16/11/2021 às 01:34
 (Eduardo Rocha)

(Eduardo Rocha)

A Polícia Federal cumpre na manhã desta quinta-feira (25) 40 mandados na 6ª fase da Operação Zelotes, que investiga fraudes em julgamentos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), ligado ao Ministério da Fazenda. De acordo com o portal G1, há mandado de condução coercitiva para André Gerdau, presidente do comitê executivo da siderúrgica. A estimativa de sonegação é de R$ 1,5 bilhão.

nos Estados de Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Pernambuco, além do Distrito Federal. A PF também vai ouvir dois presos no complexo da Papuda, em Brasília.

A empresa brasileira, que possui operações industriais em 14 países, celebrou contratos com escritórios de advocacia e de consultoria, os quais, por meio de seus sócios, agiram de maneira ilícita, segundo a PF, manipulando o andamento, a distribuição e decisões do Conselho de Recursos Fiscais – Carf, visando obter provimento de seus recursos e cancelamento da cobrança de tributos em seus processos.

 A operação Zelotes investiga um esquema de corrupção cujo rombo aos cofres públicos pode ultrapassar nove vezes o causado pelos desmandos da “Lava Jato” – a estimativa é de R$ 2,1 bilhões – possui ramificações em Minas Gerais. Mais do que isso, apesar de não ter nenhum mandado para ser cumprido no Estado nesta fase,  o esquema está sediado em Minas.

teve acesso e publicou com exclusividade em novembro de 2015 , indica que a Gerdau Açominas recebeu o perdão de sanção bilionária a partir do pagamento de propina. “Foram prometidos R$ 50 milhões em propina para a resolução da questão do ágio da Gerdau e que esse valor seria a ‘aposentadoria tranquila’ de alguns”, afirmou o delegado de Polícia Federal Marlon Oliveira dos Santos.

As investigações revelam que parte dos integrantes do conselho se organizou em ao menos três núcleos para fazer um “lucrativo balcão de negócios”, como definiu o delegado.

Os federais informaram ainda que, mesmo após a deflagração da Operação Zelotes, em 26 de março de 2015, informações produzidas pela PF apontaram evidências da continuidade da prática dos crimes de Advocacia Administrativa Fazendária, Tráfico de Influência, Corrupção Ativa e Passiva, Associação Criminosa e Lavagem de Dinheiro por parte do grupo investigado.

A Gerdau confirmou a presença da Polícia Federal em suas dependências para cumprimento de mandado da Operação Zelotes e informou, por meio de nota, que está colaborando integralmente com as investigações.

A empresa afirma que não concedeu qualquer autorização para que seu nome fosse utilizado em pretensas negociações ilegais e diz ainda que repele qualquer atitude que possa ter ocorrido com esse fim.

Esquema

O esquema girava em volta de três grupos, que contavam com o auxílio de outras empresas para captar clientes – leia-se empresas com autuações – especialmente em São Paulo e Brasília.

Um dos núcleos era encabeçado por José Ricardo da Silva, e contava com duas conselheiras, a irmã e uma ex-estagiária e sócia de Silva. Paulo Roberto Cortez, também conselheiro, chegou a participar mas rompeu com o grupo. Interceptações telefônicas revelam que Cortez queria denunciar o que chamava de falcatruas.

O outro núcleo tinha intenso trânsito por instituições bancárias. O principal articulador, sempre conforme o relatório da PF, era o conselheiro Jorge Victor Rodrigues, proprietário da SBS, “empresa para dissimular atividades criminosas”. O grupo teria negociado perdões de sanções bilionárias com bancos.

Por fim, o terceiro núcleo era chefiado por Edison Pereira Rodrigues, auditor fiscal aposentado, que emplacou a filha no Carf. O grupo negociou, segundo a PF, pedido de vista por R$ 20 mil – manobra não concretizada porque o cliente desistiu.

* Com informações de Thiago Ricci

* Informações atualizadas às 8h45

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