O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a retirada do sigilo da delação premiada do ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa (PMDB) e autorizou a abertura de um inquérito para apurar uma organização criminosa que se instalou na alta cúpula do governo do Estado, de acordo com o relato do procurador-geral da República Rodrigo Janot. Embora a totalidade dos investigados no inquérito não tenha sido revelada, Janot aponta o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, como líder da organização criminosa.

"Entre os agentes políticos, destaca-se a figura de Blairo Borges Maggi, o qual exercia, incontestavelmente, a função de liderança mais proeminente na organização criminosa, embora se possa afirmar que outros personagens tinham também sua parcela de comando no grupo, entre eles o próprio Silval Barbosa e José Geraldo Riva ex-deputado estadual de Mato Grosso", afirma o procurador-geral da República, no pedido de abertura de inquérito, autorizado por Fux.

A decisão do ministro do STF foi tomada nesta quinta-feira, (24), e atende à solicitação da Procuradoria-Geral da República (PGR). c. Segundo Janot, Silval Barbosa "menciona fatos típicos praticados por autoridades detentoras de prerrogativa de foro, dentre elas o deputado federal Ezequiel Fonseca, deputado federal Carlos Bezerra, o senador da República José Aparecido Santos, o senador da República Wellington Fagundes e o ministro de Estado e Senador da República licenciado Blairo Borges Maggi".

A PGR afirma que, segundo Silval, seu ex-chefe de gabinete Sílvio Cezar Correa Araújo, entre 2007 e 2010, praticou "inúmeros crimes contra a administração e lavagem de dinheiro".

Silvio Cézar Correa Araújo é uma das outras quatro pessoas a firmarem acordo de delação premiada, além de Silval Barbosa. Os outros delatores são Roseli de Fátima Meira Barbosa, esposa do ex-governador do Mato Grosso, Rodrigo da Cunha Barbosa e Antônio da Cunha Barbosa.

Vídeo

Como forma de corroboração à sua delação premiada, Silval Barbosa (PMDB) entregou à Procuradoria-Geral da República vídeos que mostram políticos do estado recebendo dinheiro vivo, veiculados no Jornal Nacional nesta quinta-feira, 24.

O ex-governador alega que as gravações foram feitas pelo então chefe de gabinete Silvio Cesar. De acordo com Silval, ele era o funcionário responsável por entregar os valores. O dinheiro, segundo o ex-governador, era de esquemas de propina no Estado.

Entre os políticos flagrados nas imagens estão o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PMDB), que chegou a colocar tantas notas em seus bolsos que parte delas caiu no chão. O vídeo mostra Emanuel agachando-se para juntar as cédulas espalhadas.

O deputado federal Ezequiel Fonseca (PP) aparece nas imagens às quais a Rede Globo teve acesso recebendo o dinheiro em uma caixa de papelão. O então deputado estadual Hermínio Barreto (PR) é flagrado com os maços em uma mala. A atual prefeita de Juara (MT), Luciane Bezerra (PSB) também pode ser identificada no vídeo levando o dinheiro na bolsa. O ex-deputado estadual Alexandre César (PT) aparece levando notas em uma mochila.

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