O vice-presidente e novo articulador político do governo, Michel Temer (PMDB), preferiu nesta segunda-feira (4), pôr panos quentes na disputa que travou, na semana passada, com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Temer disse que a relação com Renan é "muito boa", embora naturalmente ocorram divergências que, segundo ele, não são de natureza pessoal ou institucional.

"Muitas vezes (as divergências são) de concepção. Nós (eu e Renan) temos nos falado, temos nos intermediado, temos nos conversado. Não há nenhum problema. Eu tenho absoluta certeza que eu e Renan caminharemos juntos, eu, Renan e Eduardo Cunha (presidente da Câmara) caminharemos juntos em favor do País", disse Temer, antes de comandar uma reunião com líderes partidários no gabinete da Vice-Presidência da República.

Insatisfeito por ter tido um aliado preterido na reforma ministerial de Dilma Rousseff, na quinta-feira passada (30) Renan Calheiros chamou indiretamente Temer de "coordenador de RH (recursos humanos)" do governo federal.

Acusado, Temer divulgou nota na qual afirmava que não iria usar o seu cargo "para agredir autoridades de outros Poderes" e que o "País precisa, neste momento, de políticos à altura dos desafios que hão de ser enfrentados".

Terceirização

Questionado hoje se esperava convencer Renan Calheiros a apoiar o ajuste e o projeto das terceirizações, medidas que poderiam trazer prejuízos para a classe trabalhadora, o vice-presidente respondeu com um discurso elogioso ao peemedebista: "Eu acho que o Renan tem duas qualidades. Em primeiro lugar, ele também é um homem também elegante. Em segundo lugar, tem uma longa trajetória pública compatível com as necessidades do país. Eu tenho certeza que o presidente Renan vai encontrar uma fórmula - no tocante à terceirização - que permita a votação tranquila no Senado Federal", afirmou.

Temer disse não acreditar que o presidente do Senado tenha exagerado nas declarações que fez semana passada. "Não, não creio não, cada um tem seu modo de dizer", avaliou.